sábado, 15 de setembro de 2012

Take Shelter – 2011 Jeff Nichols



Como espectador de filmes, eu gosto de ser manipulado. Gosto de ser levado a acreditar em alguma coisa, gosto de ser surpreendido com alguma nova informação que contraria o que acreditava antes. Gosto de ser jogado de um lado para o outro e ser enganado como uma criança. Hitchcock era especialista nisso. Filmes como Psicose, Vertigo e Rebeca, por exemplo, ele faz isso conosco de maneira deliciosa. Deliciosamente enganado, é como me senti ao assistir a essa pequena obra-prima chamada Take Shelter, do jovem diretor americano Jeff Nichols.

O filme conta a historia de Curtis LaForche (Michael Shannon) que vive numa pequena cidade de Ohio, com a sua mulher Samantha (Jessica Chastain) e a filha Hannah, de seis anos, que é surda. Curtis é um cara bacana. Pai de família dedicado, trabalhador e bom amigo. Em certo momento, ele passa a ter sonhos terríveis e violentos com uma tempestade negra que vai acabar com tudo, o que o impulsiona a construir o abrigo no quintal da sua casa, para salvar sua família. Paralelamente, descobrimos que a mãe do personagem tem problemas mentais que  começaram a se manifestar na mesma idade que Curtis tem agora. 

A obsessão de Curtis para construir o abrigo e seu comportamento começam a incomodar as pessoas que o cercam, sua esposa e seus amigos. Ele mesmo começa a duvidar de sua sanidade e nós, telespectadores, somos arrastados de um lado para outro sem saber se Curtis é realmente um profeta ou apenas um maluco.

O filme de Nichols tem muitas qualidades, mas o que faz a diferença é o elenco e o roteiro. O elenco é competentíssimo e afiado. Não é de hoje que Michael Shannon vem demonstrando que é um dos melhores atores (e um dos mais subestimados) da sua geração e da carga de loucura e mistério necessários para o desenvolvimento do seu personagem, enquanto Jessica Chastain destila sensibilidade para o seu papel e a cada filme que faz se consolida como grande atriz. O roteiro sutil e preciso mostra o que é necessário para instalar a dúvida sem entregar muito. 

O filme ainda deixa duas grandes constatações: a primeira é uma lição para os estúdios de cinema; grandes ideias ainda são mais importantes para criação de bons filmes do que grandes orçamentos. A outra é que Jeff Nichols é um nome a ser observado.  


Um comentário:

  1. Que tal assistir de novo, só que agora acompanhado,amor?
    Fiquei curiosa...hehe...

    Beijos,meu lindo!

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