quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Kill List (2011) - Ben Wheatley




A primeira impressão de quem começa a assistir ao filme britânico Kill List (2011) é que se trata de um drama sobre uma família disfuncional com problemas financeiros e de relacionamento.  Ledo engano. O filme é um dos mais sufocantes e enervantes dos últimos tempos.

Segundo filme do cineasta Ben Wheatley, conta a história de Jay (Neil Maskel) um ex-militar que hoje ganha a vida como matador de aluguel. Jay está sofrendo de depressão por conta de um trabalho mal sucedido no passado, o que torna seu relacionamento familiar quase impossível. Vive quebrando o pau com Shel (Myanna Buring), sua esposa, e não consegue dar atenção ao filho pequeno. A tensão aumenta ainda mais com a crise financeira que o casal atravessa.

A trama começa mudar e tomar cores mais sombrias com a visita de Gal (o ótimo Michael Smiley), amigo de Jay desde os tempos do exercito e sócio nos negócios atuais. O visitante fala para o amigo sobre um novo trabalho.  A princípio Jay recusa, mas é pressionado por sua esposa e pelo amigo e cede. Os dois vão encontrar o cliente, um homem misterioso com poucas palavras. O homem passa à dupla uma lista com três nomes que devem ser liquidados. Na lista nada de nomes, apenas está escrito: Padre, Bibliotecário e Membro do Parlamento (metáfora para as importantes instituições sociais, acredito), e faz Jay assinar o contrato com seu próprio sangue.
A partir deste lúgubre encontro, o filme passar ter cores oníricas. O ritmo do filme aumenta em velocidades e narrativa vai ficando truncada, beirando a confusão, retratando o pesadelo infernal em que se encontra Jay.

Falar mais sobre o enredo de Kill List só atrapalharia a surpresa que esse grande filme trás. No entanto, posso garantir que a apótese do filme é uma das mais brutais tanto psicologicamente como fisicamente dos últimos tempos e que ecoa o grande filme de terror setentista The Wicker Man de Robin Hardy.

Kill List é representante da nova safra de filmes ingleses de terror, que, como acontece na França e na Ásia (principalmente na Coréia e no Japão), dá uma aula aos grandes estúdios de cinema americano de como fazer filmes. Bons atores, argumentos inventivos e desafiadores que trazem mais dúvidas que respostas e apostar em realizadores ousados ainda é o melhor caminho para realizar bom filmes.

Desculpe o desabafo, caros leitores, mas não aguento mais ver falsos documentários com adolescentes acéfalos e matadores imortais.





Um comentário:

  1. Vou querer assistir,amor.
    Você e seus textos, que sempre me deixam curiosa para assistir aos filmes que comenta...hehehe.
    Que bom que está de volta, meu lindo!
    Como fã nº1, estava cheia de saudade de seus textos deliciosos!

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