sábado, 22 de setembro de 2012

Cosmópolis – 2012 – David Cronemberg




"um rato se tornou a unidade monetária.”

Não são poucos os filmes que pintam o fim do sonho americano. Cosmópolis, novo filme de cineasta canadense David Cronemberg, trilha esses mesmos caminhos, transformando-o em um pesadelo esquizofrênico, niilista e deformado, bem ao estilo deste terrível (no melhor sentido possível) diretor.

Baseado no romance futurista e anticapitalista homônimo de Don de Lillo, o filme narra um dia na vida do jovem Eric Parcker (Robert Pattinson, em interpretação notável diante de um papel difícil), um biliardário especulador da bolsa de valores que decide atravessar Nova York para cortar o cabelo no mesmo dia que o presidente dos Estados Unidos está na cidade e que está acontecendo uma carreata de luto pela morte de ídolo pop e, por conseguinte, o transito está mais caótico que de costume.

Parcker vai atravessando a cidade lentamente dentro de sua superequipada limusine e vai cruzando com as mais curiosas personas que fazem parte de sua etérea e sem conteúdo vida. Sua esposa (Sarah Gadon), que pouco vê e é praticamente uma estranha para ele. Sua consultora de Arte (Juliette Binoche) com quem tem um embate sobre arte versus capital e sua Guru pessoal (Samantha Morton), com quem troca divagações. Não existem limites para milionário. Ele ameaça comprar uma capela para se apropriar de um afresco que ficaria bem em seu apartamento, mata um funcionário na frente de outras pessoas e transa dentro de limusine branca sem demonstrar a menor satisfação. Eric Parcker é um zumbi sem quase emoção e sem medo.

Filme mais voltado para reflexão, que discute a dormência nas relações humanas, consequência do estágio final do capitalismo.  Existe pouca ação em Cosmópolis. Muitos diálogos, alguns até desconexos e um sentimento corrente de horror e tensão, que vai aumentando até o seu apoteose memorável, quando Eric encontra Benno Levin (Paul Giamatti), um ex-funcionário frustrado e psicótico que quer matá-lo.  

O cinema de David Cronemberg apresenta uma evolução, uma depuração estilística e temática deixando de lado as deformações e monstros e explorando as deformidades internas das pessoas.  Cosmópolis é aquele tipo de filme que não vai agradar todo mundo.  Torceram o nariz para ele em Cannes esse ano e, certamente, não vai agradar as fãs do galã Robert Pattison, mas o filme, sem dúvida, é um prato cheio para aqueles que gostam de um cinema mais “marginal” e bem acabado e com enorme potencial para se tornar mais um Cult dirigido pelo Canadense.

2 comentários:

  1. Eu gostei,amor!
    É um daqueles filmes que me incomodam um pouco,mas achei muito bom!
    A interpretação do moço-branco-como-vampiro foi infinitamente superior aos filminhos juvenis que agradaram tanto...
    E você conseguiu descrever o filme sem entregar o ouro.Só para variar, deixa quem não viu com vontade de ver.hehehe...E as imagens que você escolheu foram ótimas!

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  2. Davi Cronemberg dispensa comentários e Robert Pattison já havia demostrado seu potencial encarnando Salvador Dali no filme Pouca Cinzas. Patisson não é apenas mais um rostinho bonito e de tirar o fôlego de adolescentes com hormônios a flor-da-pele. O jovem ator está se aprimorando cada vez mais para atingir o mesmo patamar interpretativo de Brad Pit e Leonardo Di Caprio (que ainda pode melhorar muito. Zelão Júnior e Neuroniel Brasil foram os pioneiros em beleza e talento na indústria hollywoodiana, porém, nossa beleza foi transformada em puro talento e esta nova geração terá muito o que aprender conosco. Por sinal, Zelão está analisando o roteiro do novo filme de Martin Scorcese a trocando impressões sobre seu personagem com o de Robert De Niro. Aguardo sua avaliação e se realmente o papel suprirá suas expectativas. Huahuahuahua.

    Mais uma insanidade gratuita por Neurocancer.


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