quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ken Russell R.I.P.



Domingo passado, dia 27/11/2011, o cinema mundial perdeu um de seus realizadores mais originais e ousados, o cineasta inglês Ken Russell.

Contestador e irônico, Russell fez filmes dos mais variados gêneros. Realizou musicais (Tommy e Lisztomania), dramas (Os Demônios e Mulheres Apaixonadas), ficção científica (Viagens Alucinantes) e o suspense (Gothic), sempre com uma carga autoral muito forte. Tinha como característica o questionamento aos dogmas religiosos, as paixões dominadoras e desacerbadas, uma forte carga erótica e um exagero lisérgico nas imagens.

Ken Russell teve uma rápida passagem pelo cinema americano. Fez dois filmes: a ficção científica psicodélica e descontrolada “Viagens Alucinantes” – e o denso “Crimes de Paixão”, no entanto o estilo pouco comercial e pouca sutileza do cineasta não agradou os grande$ e$túdio$. “Voltou à Inglaterra onde fez alguns poucos e bons filmes, como, por exemplo, o sobrenatural “Gothic” e o sensual “A Última Dança de Salomé”.

Além dos belos filmes, Russell deixa um exemplo de coragem e ousadia. O cineasta não abria concessão para os críticos e nem para os espectadores. Filmava com máxima honestidade e convicção o que ele achava melhor. Algumas vezes o resultado era exagerado e chocante, é verdade, mas quando acertava, criava obras de plena beleza. Não uma beleza apolínea de fácil digestão, mas uma beleza terrível, caótica e assombrosa.  

2 comentários:

  1. Serei honesta,amor...não conhecia seu trabalho.Mas ao ler seus comentários,para variar,fiquei curiosa para assistir!

    Que tal?

    Beijos de expectativa...hehehe

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  2. Gosto muito de viagens Alucinantes, pois, foi um filme que assisti em minha adolescência pela Rede Globo. Na época, foi realmente uma "viagem alucinante", principalmente nas cenas que o personagem principal experimenta substâncias alucinógenas em um ritual xamanístico ou algo semelhante. Pessoalmente, considerava o melhor filme de Ken Russel. Há um ano atrás descobri Os Demônios (Oliver Reed e Vanessa Redgrave estão soberbos e impecáveis), baseado na obra Demônios de Loudun de Aldous Huxley e, para mim, são as duas obras-primas do diretor. Respeito a importância de Tommy (apreciei mais Quadrophenia) e Gothic, porém, considero filmes razoáveis e eficientes. Deste exímio cineasta quero assistir Savage Messiah e Liztomania para encerrar um ciclo pessoal. Talvez ocorra um certo desdém com as obras de Ken Russel, pois dois filmes seminais foram convertidos e atualizados em dvd numa qualidade inferior. São estes: Os Demônios; e Liztomania. No meu ponto de vista, há um certo desdém em relação às obras deste exímio e surreal diretor. Apenas uma opinião pessoal. Daniel Brasil

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