sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Limite da Liberdade e o Politicamente Correto

Qual é o limite da liberdade de expressão?
Existe aquela famosa frase usada a exaustão, porém, bem aplicada à questão acima: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” Atribuída ao iluminista Voltaire.
Até onde é aceitável que uma pessoa se manifeste e exponha seu “ponto de vista”, mesmo que essa opinião desafie o senso comum?

É evidente que o direito de expressão não possa ser maior ou violar os direitos de personalidade. Se um humorista diz que comeria uma mulher grávida e o seu filho também, ele pode estar ferindo a honra e o bom nome dessa mulher gratuitamente e abusando da liberdade de expressão, e a ofendida tem todo o direito de se manifestar contrariamente e pedir uma retratação. A justiça está aí para justamente resolver essas celeumas e dizer quem tem razão ou não.

O ponto é outro. Uma pessoa pode escrever um livro elogiando o racismo? Um político pode emitir sua opinião preconceituosa a respeito da opção sexual dos outros?      
Um cineasta pode falar sobre a influência nazista em sua vida sem que o mundo o condene? É óbvio que o preconceito racial ou sexual e o nazismo (incluo aqui todos os regimes totalitários, tanto de esquerda como de direita) são manchas negras na história da humanidade e são ideologias a serem combatidas. Quando eu digo combatida, me refiro ao debate e à disputa de idéias e não a pura e simples proibição.

É claro que existem limites para a manifestação dos pensamentos. Por exemplo, nas hipóteses do parágrafo anterior, se o autor do livro incitar a violência contra alguma minoria; ou o político desferir ofensas ou acusações direta ou indiretamente a quem quer que fosse, eles estariam, sim, ultrapassando os limites da liberdade de expressão, pois como minha avó sempre diz: a sua liberdade termina onde começa a do outro.
Nessas ocasiões a sanção ou a censura se justifica e se torna necessária, mas só nessas situações.

O amplo debate, o confronto racional e aberto de idéias e opiniões é maneira mais honesta e democrática de resolverem-se essas pendengas. Acontece que é muito desgastante e cansativo pensar e debater. É muito mais fácil se postar como um paladino, vestir o manto politicamente correto, colocar-se acima do bem e do mal e censurar, reduzir ou estigmatizar com preconceitos os desafetos, ou seja, tornar-se aquilo que, pretensamente, estavam combatendo.

Esse texto está postado estrategicamente entre um poema e um comentário referentes a autores tão polêmicos quanto geniais, autores que admiro artisticamente, mas discordo de suas opiniões políticas: o norte americano Ezra Pound, poeta que contribuiu efetivamente para os caminhos tomados pela lírica modernista, e pelo cineasta dinamarquês Lars Von Trier e seu último filme Melancholia.  

Um comentário:

  1. Concordo,amor!Esse episódio infeliz,tão comentado recentemente,dá uma idéia do quanto a popularidade de um artista pode levá-lo a pensar que está acima de tudo e de todos.A pessoa perde a noção do que pode e daquilo que não deve ser dito.Triste isso.A pessoa que surge nos lares através da tela da TV parecendo ser inteligente e engraçado,mostra que tem um lado B obscuro, sem limites,sem noção.
    A nós,resta olhar tudo e ponderar o que nos serve e todo o resto.

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