sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Inverno de sangue em Veneza (Don´t look now) 1973 – Nicolas Roeg


Nicolas Roeg já era um diretor de fotografia consagrado (já havia trabalhado com Truffaut, Lean, e Schlesinger, entre outros) quando debutou como diretor aos 43 anos com o experimental “Performance” (1970), porém foi em 1973 que o realizador inglês criou um dos filmes mais cultuados e influentes da história do cinema .

Inverno de sangue em Veneza (Don´t look now) é aquele tipo de filme grandioso que transcende os gêneros. Atravessa, com maestria e perfeição, o drama psicológico, passa pelo suspense policial e terminando, enfim, no horror.

O filme se inicia mostrando a tragédia da família Baxter. Certo dia, o casal John (Donald Sutherland) conversa tranquilamente em casa com sua esposa Laura (Julie Christie), enquanto seus filhos brincam inocentemente nos arredores da residência. Subitamente, a filha do casal se afoga acidentalmente ao mesmo tempo em que John sente que algo está errado e corre para fora da casa. Chega tarde, pois a menina já esta morta. Ele a pega nos braços e protagoniza uma das cenas mais poética e dolorosa já feita.

A ação se desloca para Veneza, aonde John vai com a esposa para executar um trabalho um tempo depois da incidente. Na bela cidade italiana, o casal conhece duas velhas e macabras irmãs. Uma delas, além de cega, diz possuir habilidades paranormais e consegue visualizar a filha morta do casal. Laura fica tocada com a possibilidade de comunicar-se com a filha. John, muito cético a tudo isso, fica distante e se concentra em seu trabalho.

A trama segue mostrando que há um serial-killer agindo ma cidade. As velhas advertem Laura que John corre perigo se ficar na cidade, e a esposa tenta convencer seu marido a encontrar com as irmãs ao mesmo tempo em que ele começa a ver imagens de sua filha correndo nas ruas com a mesma capa vermelha que usava quando morreu. John segue a imagem e vai descobrir bem mais do que estava procurando.

Poético e arrebatador são adjetivos que traduzem o resultado alcançado por Roeg no filme. A perfeição do roteiro escrito por Allan Scott e Chris Bryant consegue amarrar todas as pontas de maneira eficaz. A fotografia gelada, lúgubre e distante, apenas quente quando aparece a capa vermelha da menina, dá uma aura fantasmagórica e onírica às ruas e vielas claustrofóbicas, labirínticas de Viena. A belíssima trilha sonora acentua toda a carga assustadora e dramática das cenas. E, enfim, o elenco. Christie e, principalmente, Sutherland se entregam com vigor e intensidade aos papéis.

Uma obra-prima do cinema fantástico que merece ser vista, ou revista!

Um comentário:

  1. Aff,amor...que medo daquelas duas irmãs!Elas eram do mal...rsrs.

    Beijos apaixonados

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