segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sidarta - Hermann Hesse


Resolvi adentrar a obra do respeitado e premiado escrito alemão Hermann Hesse (1877-1962), em seu romance Sidarta, escrito em 1922, livro que é baseado na historia do Buddha histórico (Siddhärtha Gautama), por um único motivo: admirar os preceitos ontológicos e ter grande curiosidade e apreço pelo sistema religioso-filosófico presente no Budismo.

Com uma narrativa bela, ágil e quase poética Hesse nos narra o caminho tortuoso e redentor de Sidarta, filho de Brâmanes, agraciado com bela aparência, grande carisma e inteligência acima da média, mas repleto de dilemas existenciais, em direção à iluminação.

Longe de tecer um tratado religioso ou de criar uma obra destinada a auto-ajuda como o mote pode sugerir, Hesse fez literatura da mais alta categoria. Ele dividiu a figura histórica do Sidarta Gautama em dois: um é Gotama, o líder espiritual consagrado pela historia – o outro é Sidarta, um andarilho rebelde que rejeita qualquer fórmula pronta e dogmas estabelecidos para se chegar à iluminação. O caminho, para Sidarta, é pela via direta da experiência pessoal.

A narrativa se concentra em Sidarta e evidencia o inconformismo e rebeldia de seu espírito. Quando jovem deixa o conforto de sua casa e a proteção do pai e rompe com a religião que fora criado para iniciar sua caminhada em busca da sabedoria. Em companhia de seu fiel amigo Govinda passa a ser asceta Samana, mas logo nota que não alcançaria seu objetivo dentro de idéias de outros. Abandona os antigos mestres e segue em seu caminho junto com o amigo.

Em seguida encontra-se com Gotama, o sublime. E apesar de reconhecer a iluminação no líder e a perfeição de sua doutrina, não vira um seguidor deste, pois segue fiel a sua busca por iluminação individual e não acredita que a alcançará pelas idéias e pelo caminho de outro. Nesse momento Sidarta se separa de Govinda, que vira seguidor de Gotama, e segue sua procura pela iluminação.

Logo em seguida, Sidarta conhece a cortesã Kamala de quem vira amante e lhe dará um filho, e o comerciante Kamasvami, de quem vira sócio. O homem passa viver os confortos e prazeres de uma existência mundana o que abre um grande vazio em seu peito. A gula, a luxúria e o hedonismo, apesar de massacrarem o espírito de Sidarta, foram extremamente necessários para ele se conhecer e evoluir. Sidarta termina seus dias como um balseiro feliz em harmonia com a natureza e realizado por ter tido uma vida de autoconhecimento e de, em certos momentos, ter, de fato, alcançado a iluminação.

Das mais variadas indagações que esse maravilhoso e desconcertante livro levanta, a meu ver, duas grandes mensagens são deixadas para os leitores: a cultura ocidental extremamente competitiva, materialista e descartável sempre vai impedir o homem de alcançar a felicidade. E como superar isso nos dias de hoje? Bom, essa é a segunda mensagem que o livro deixa: Não existe fórmula. Para cada pessoa é de um jeito.
Então... Vá à luta, companheiro! Tá esperando o quê?

Um comentário:

  1. Uaaau!É por isso que não sossegste até chegar ao final do livro...que bacana!Bem...hoje mesmo começo a minha leitura,ok?

    Beijos elevadíssimos,amor!

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