sexta-feira, 2 de abril de 2010

Fernando Pessoa - Hora Morta

Lenta e lenta a hora
Por mim dentro soa
(Alma que se ignora !)
Lenta e lenta e lenta,
Lenata e sonolenta
A lua se escoa...

Tudo tão inútil !
Tão como que doente
Tão divinamente
Fútil - ah, tão fútil
Sonho que se sente
De si próprio ausente...

Naufrágio ante o ocaso...
Hora de piedade...
Tudo é névoa e acaso
Hora oca e perdida,
Cinza de vivida
(Que Poente me invade?)
Porque lenta ante olha
Lenta em seu som,
Que sinto ignorar ?
Por que é que me gela
Meu próprio pensar
Em sonhar amar ?

2 comentários:

  1. Pessoa é (era) um gênio. Diferente, mas era. Tudo tão inútil...

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  2. Fernando Pessoa imortal...genial!

    Beijos molhados pela chuva,meu amado...

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