terça-feira, 2 de março de 2010

O Iluminado - The Shining ( 1980)


O que é preciso para fazer uma obra de arte? Para o genial Stanley Kubrick, não muita coisa. Em “O Iluminado”, o diretor precisou de três atores, um hotel deserto e sua imaginação para criar uma das obras máximas do Gênero horror.

Escrito pelo diretor em parceria com Diane Johnson e baseado no romance homônimo escrito pelo “mala máximo do terror” Stephen King, O filme narra de maneira tensa e assustadora as desventuras da família Torrance no deserto e macabro Overlook Hotel.
Jack(Jack Nicholson, assustadoramente excelente) é o pai, um ex-professor que arruma um emprego no hotel em um período em que esse se encontra fechado. Ele leva consigo sua esposa Wendy(Shelley Duvall) e o filho Danny (Danny Lloyd).

Tudo vai indo muito bem para todos: Jack cuida da manutenção do Hotel e nas horas vagas aproveita para escrever o seu romance; Wendy segue cuidando de sua família e Danny se diverte brincando nos longos corredores do hotel até que uma força maléfica e sinistra que vive no velho hotel, começa a influenciar e possuir Jack abalando-lhe a sanidade e o transformando em um louco assassino.

Sem usar de artifícios como os “sustos fáceis” ou “fantasmas medonhos”, clichês presente em 99% dos filmes do gênero, Kubrick criou um filme impressionante, tenso e assustador, onde o mistério, a sugestão e o terror psicológico são os elementos que encorpam o filme e mostram o horror da situação.

Os méritos do filme começam pelo roteiro de Kubrick e Johnson, que acerta em cheio em aparar os excessos do romance original deixando mais soturna e enigmática a trama. Aliás, muita gente, inclusive esse que vos escreve, acha o filme é muito superior à obra original.

Passam pela magnífica trilha sonora (como em quase todos os filmes do diretor). Que além de belas peças Ligeti, Bartók e Pendereki contém também as peças com sintetizadores claustrofóbico e assustadores de Wendy Carlos que acrescentam profundidade e dramaticidade para o filme.

Passam também pela parte técnica. A fotografia realista e opressora acentua o isolamento da trama a deixando mais macabra ainda. As imagens do filme, internas ou externas são maravilhosas. Repletas de ângulos inusitados e movimentos revolucionários estão, seguramente, entre as mais belas que já foram filmadas. Vale dar o crédito para assistente de direção Brian Cook e os operadores câmera James Devis e Kelvin Pike e Garret Brown.

E por fim, a interpretação de Nicholson. O ator é reconhecidamente um dos maiores de todos os tempos e tem atuações consagradas e premiadas em filmes com Um Estranho no Ninho, Sem Destino, Chinatown e Melhor Impossível, por exemplo, mas o resultado artístico alcançando é incomparável nesse filme.

O Iluminado é uma obra-prima do horror. Deve ser assistido com a mão no peito em sinal de reverência, ainda mais hoje em dia, tempos de filmes de terror que se repetem a exaustão e condenam esse tão prolifero gênero a categoria de arte menor.
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9 comentários:

  1. Esse filme é realmente uma grande obra...
    Um grande estudo...
    Vou rever...
    bjo

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  2. O mais legal de tudo,é poder agarrar vc,qdo surgem as cenas mais fortes!
    Essa é ou não uma boa desculpa,meu amor?rsrsrs

    Mas,falando sério...o filme é de arrasar mesmo!

    Bela dica,meu anjinho!
    Beijos de uma mocinha apaixonada por vc!

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  3. Esse filme eu precisava comprar e comprei numa baciada lá da FNAC. Olhe que a cena mais incrível, em termos de filmagem, é o fusca amarelo dele naquela estrada do início do filme... para vc se sentir idílico e calmo, antes de ir te pegando lentamente com o horror. Muito bom mesmo. Gostei daqui, vou ser seguidor.

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  4. GAMBS,
    Abrace-me quando quiser, querida!

    LECA,
    Vale a pena revê-lo. É um baita Filme!

    TARDE,
    Sabia que as tomada aéreas presente nas cenas finais do Blade Runner são sobras dessas cenas que citou?

    Obrigado por visitar e por seguir o blog.
    Sinto-me honrado.

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  5. Post irretocável, como sempre. Só uma curiosidade: o nome de batismo de Wendy Carlos é... Walter Carlos. Sim, ela é mulher. Eu me lembro que meu pai costumava ouvir essa trilha quando eu era pequeno, o que explica muitas coisas hoje em dia.

    E o senhor deve escrever mais, Mr. Eraserhead. Afinal, muito trabalho e pouca diversão fazem de Jack um bobão.

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  6. Edu,
    Eu lembro que conheci o Trabalho da Wendy nas nossas ricas conversas de adolecente.
    Cara, a Wendy era Watler. Ele fez uma operação para mudança de sexo em 1972 e virou ela.
    Sexualidade à parte, o trabalho dela é fantástico! Tanto nas parcerias com Kubrick como nas suas como nas versões sintetizadas de Bach e Haendel.

    Estou escrevendo pouco, pois estou estudando, como o Sr. bem sabe. Vamos ver se eu alcanço e objetivo ai o blog volta a ter aquele volume de sempre.

    E o Sushi no final de semana, Vai rolar?

    Abs, e volte sempre.

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  7. Gosto MUITO do jeito como vc descreve os filmes. Suas resenhas são completíssimas e tão bem escritas que nos dá vontade de ver (ou rever) as obras que vc menciona.
    Simplesmente genial!

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  8. Olá, Juliana! blz?

    Obrigado pela visita e pelas gentis palavras.

    Volte sempre!

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  9. Thank you for visiting, btw! :))
    really appreciate it.
    just asking, is your name really:
    first name: Eraser
    last name: Head
    or are you just obsessed with David Lynch?

    :D

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