segunda-feira, 15 de março de 2010

A Ilha do Medo - Shutter Island, 2010


Martin Scorsese já foi chamado de “o maior diretor americano vivo” e tem no currículo filmes essenciais para a história do cinema como, por exemplo: Touro indomável, Táxi-Driver, A Última Tentação de Cristo, Depois de Horas, Os Bons Companheiros e Cabo do Medo, mas, ultimamente, salvo “Os Infiltrados” que se o resultado não é genial com se espera sempre que o diretor aparece, pelo menos é ok, tem apresentado trabalhos irregulares e aquém da fama em torno de seu nome.

Seu último filme: “A Ilha do medo”, se não é a reconciliação do diretor com a sétima arte, é, pelo menos, um grande tentativa e o anuncio que Scorsese está no caminho certo.

A narrativa acompanha à história de dois agentes federais: Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo) que em 1954 vão ao manicômio judicial Ashecliffe, localizado na Shutter Island, investigar o misterioso desaparecimento de uma assassina internada no local. Ao chegarem lá, deparam-se com uma intrincada série de mistérios que vão por a prova a sanidade dos agentes.

Scorsese mostra muito vigor na direção, aliado aos excelentes e caprichosos trabalhos dos diretores de fotografia Robert Richardson, e de arte Dante Ferret cria um trabalho estético de beleza única e grande responsável pelo êxito artístico do filme. O clima noir e onírico levam o filme em uma crescente tensão. A trilha sonora também contribui para excelência técnica e cênica do filme Penderecki, Ligeti, Maher e John Cage, entre outros.

O luxuoso elenco também funciona perfeitamente. Max Von Sydow, Elias Koteas, Ted Levine, Jack Earle Haley, Patricia Clarkson e Emily Mortimer brilham em pequenos, porem notáveis interpretações, enquanto Dicaprio, Rufallo e Bem Kinsgley alcançam resultados fantásticos.

Infelizmente, o roteiro de Laeta Kalodridis (adaptação do livro Paciente 67 de Dennis Lehane) peca pela previsibilidade. Se por um lado, é notável a capacidade de brincar com as influências: Hitchcock, Fuller e Kafka as mais evidentes, por outro é decepcionante como lá pela metade do filme, o espectador mais escolado chegue as conclusões, erro capital em um filme do gênero.

Um Scorsese menor, mas, mesmo assim, vale uma espiada.

2 comentários:

  1. E como valeu,amor!
    Adorei o filme!Como não sou tão perspicaz como vc,precisei de mais tempo para encaixar as pecinhas...rsrsrrssrsss...

    Mas foi um programão!Mais uma vez,como sempre!

    Beijos em clima noir...

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  2. Scorsese propõe um desafio ao telespectador do começo ao fim nesse filme. De muito bom gosto o filme e o blog também.
    Abraços!

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