quinta-feira, 11 de março de 2010

24 Hour Party People - 2002


Esse vai ser um post saudosista, nostálgico e sentimental.

Depois de ver um show do Manchester United à tarde, onde Wayne Rooney, o melhor jogador do mundo na atualidade, detonou com O Milan dos “pipocas” Ronaldinho e Pato(que nem jogou), à noite, vi outro show que também tem ligação  com a cinzenta cidade industrial inglesa: “A festa Nunca Termina” (24 Hour Party People) do inglês Michael Winterbottom.

O filme é um retrato irônico e divertido do período em que a cidade inglesa foi o centro do rock mundial e cobre os períodos do nascimento do pós-punk, que tinha nomes como The Fall, Buzzcocks, Joy Division em suas fileiras, passando pelos anos 80, onde New Order e Smiths eram os seus melhores representantes, até o advento do Acid Hose e das “Madchester”, bandas independentes como:  Happy Mondays,  Stone Roses, 808 State, The Charlatans e os Inspiral Carpets.

Com uma narrativa inusitada que mescla um falso documentário e uma ficção psicodélica frenética, o filme é narrado pelo mitológico Tony Wilson, o criador da Factory, selo independente responsável pelo lançamento da maioria daquelas bandas e uma das figuras centrais do movimento.

Wilson(fabulosamente interpretado por Steve Coogan), de maneira divertida e cínica, vai narrando suas aventuras frente aquele universo de sonhos e relata uma época em que o valor artístico ainda era a prioridade e não a questão financeira a ditar os caminhos e as vertentes que vemos no universo da música pop hoje em dia. Posso até estar sendo saudosista e sentimental, mas eu avisei que o post era assim no começo, não?

Quando a narrativa se concentra no relacionamento de Tony com as bandas o filme rende seus melhores momentos, chega até ser emocionante as palavras de Wilson a respeito de Ian Curtis - vocalista de Joy Division que se suicidou em 1980- na ocasião de sua morte, mas o clima do filme é de festa. Festas essas, é claro, regadas a muitas substâncias ilícitas, sexo e rock and roll. As histórias envolvendo o Happy Mondays são as melhores.

O filme termina com o fechamento da Hacienda, casa de shows de propriedade dos donos da Factory. Tal evento foi um divisor de águas na história da música recente e na minha humilde opinião (eu falei que ia ser sentimental e nostálgico) pouca coisa apareceu de interessante na música pop depois disso.

Rola também algumas participações especiais de pessoas importantes no movimento como: Howard Devotto do Buzzcocks, Paul Ryder dos Mondays e Vini Reilly do Durutti Collum, Mark E. Smith do Fall e do próprio Tony Wilson. Todos eles apresentados no filme pelo narrador de maneira original e divertida.

Enfim, o filme é uma deliciosa viagem sentimental para um garoto que como eu amava o Smiths e o Joy Divison e acompanhava tudo isso aqui do outro lado do mundo pelas revistas especializadas da época e ficava até altas horas da madrugada discutindo com os amigos nos velhos escadões do bom e velho Tremembé. 

3 comentários:

  1. Como é que eu não conheço esse filme???
    Tem muita coisa boa aí...eu adoro Smiths e Joy Divison...além de outras pérolas...que ficam ecoando lá em casa...e nos shows que ainda vou...
    Beijos
    Leca

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  2. Meu amor...que máximo!
    Consegui até mesmo ver o garoto de olhos brilhantes,falando com entusiasmo sobre suas bandas favoritas!
    Que inveja de quem viveu tudo isso ao seu lado!

    Beijos cheios de New Wave no cabelo...rsrsrs

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  3. Sabem a cena onde Wilson pega a mulher transando com um cara no banheiro? Então, o ator no filme é o protagonista do fato na vida real: Howard Devoto, dos Buzzcocks.

    Mas Wilson é o cara das frases campeãs ("Quantas pessoas havia na Santa Ceia?"). Quando do fechamento da Factory, ele declarou: "Capitalismo sem falência é como cristianismo sem inferno". Sempre quis usar essa frase, mas nunca achei uma oportunidade.

    Filmaço, que deve ser complementado com "Control", este do Anton Corbijn e centralizado em Ian Curtis.

    E a Roda da Fortuna gira...

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