quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sinédoque, Nova York(2008)




Sinédoque é a figura de linguagem que consiste na substituição de um termo por outro havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação quantitativa. Nota do blogger.

Sinédoque, Nova York - é o nome do filme de estréia de Charlie Kaufman, o roteirista mais inventivo e original do atual cinema americano, atrás das câmeras. Kaufman se apropria da idéia da figura para mostrar o inferno interior de Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman, excelente como sempre) um montador teatral que fica décadas montando uma peça teatral que será seu trabalho definitivo, seu verdadeiro legado para a humanidade. Obsessivamente, Caden, constrói no teatro uma réplica da cidade que vive, e a peça passa a retratar sua vida. A ficção invade a realidade. Tanto que em determinado momento ele mesmo acaba sendo diretor e personagem da história. Em outro, contrata um ator para interpretá-lo e mais para frente um ator para interpretar o ator que o estava interpretando. Metalinguagem labiríntica ao extremo.

Confuso? Estranho? Bom, dependendo de um roteiro de Charles Kaufmam esses adjetivos são bem comuns. É verdade que sem o auxilio de um diretor para suavizar os símbolos hermético e difuso que habitam sua cabeça - como teve em Spike Jonze em “Quero Ser John Malkovich", e em " A Adaptação "; e em Michel Gondry em  "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" e "A Natureza Quase Humana" – o resultado do filme não foi genial, mas mesmo assim muito bom.

O filme conta com um elenco afinadíssimo e uma edição coerente com o desenvolver da narrativa, mas, o maior destaque, como era de se esperar, fica a cargo do roteiro. Rico em símbolos que discutem desde o “criar artísticos”, passando pela solidão e a incompleitude humana, a incapacidade de comunicação até o sentido (ou a sua falta) da vida e da morte. Tudo caoticamente e genialmente impregnado nos diálogos, nos saltos temporais inusitados e nos desfechos surreais.

Reconheço que tem que ter estômago preparado para aproveitar o prato preparado por Kaufaman. Principalmente no ¼ final do filme, cuja narrativa vai se abrindo até perder boa parte da sua unidade lógica. O filme apresenta-se aberto, fica totalmente abstrato e convida o espectador a desvendar os pesadelos egocêntricos, obsessivos e melancólicos de Caden. Não é para qualquer paladar. Eu como tenho estômago de avestruz, adorei!

3 comentários:

  1. Amor,tenho um estômago delicado como o quê!Mas achei o filme muito bom , apesar de não tê-lo assistido por completo...As mudanças rápidas na sequência,as viagens no tempo...surpreendem!

    Meu amor...seu texto,para variar,maravilhoso!
    Tem a sua cara!

    Beijos cinematográficos,da sua protagonista...

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  2. Quinadis, Mafalgambs, são seus olhos...ou seu estômago...

    Beijos elétricos para você!

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  3. Lindoooo!E modesto tb...vc arrasa nas linhas e entrelinhas!

    Beijos para deixá-lo sem fôlego!

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