segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mutantes - Os Anos Tropicalistas





Nos anos 60 a musica popular brasileira tinha três principais vertentes: A primeira, mais alinhada com a bossa nova, com o samba e o jazz. Tinha como principais representantes Chico Buarque de Holanda, Edu Lobo, Tom Jobim e companhia.


Uma segunda chamada de música de protesto, que possuía nomes como o de Geraldo Vandré em suas fileiras. A Música de protesto, como diz o nome, estabelecia um grito de afronta aos poderes dominantes e de críticas de ordens políticas e sociais. Apesar de rica em ideologia, essa vertente apresentava uma estética conservadora e saudosista.

A terceira vertente era fortemente influenciada pelo Rock and roll inglês dos Beatles e dos Rolling Stones. A Jovem-Guarda, que era liderada por Roberto e Erasmo Carlos.

Pode-se afirmar que a tropicália pegou elementos de todas essas vertentes, mergulhou ainda em influências modernistas brasileiras - como o antropofogismo, por exemplo - A pop-art e a arte concreta: música e poesia, para criar substrato teórico para dar suporte ao movimento.

O tropicalismo absorveu aspectos culturais tanto populares quanto eruditos, estrangeiros e nacionais para criar uma estética moderna e experimental, foi o movimento mais bem sucedido em termos de qualidade que aconteceu no Brasil na opinião desse que vos escreve.

O tropicalismo teve representatividade no cinema, no teatro, nas artes plásticas, mas foi na música que o movimento alcançou sua mais perfeita tradução. O grande êxito dos tropicalistas se deu pela qualidade dos membros envolvidos, artistas como Tom Zé, Gal Costa, Nara Leão, Jorge Ben, Jorge Mautner, Torquato Neto, Capinam e os maestros Julio Medalha e Rogério Duprat, e os lideres intelectuais do movimento: Caetano Veloso e Gilberto Gil.


Os Mutantes entraram para o movimento por indicação do Rogério Duprat, que havia feito o Arranjo de “Domingo no parque” para Gil. O maestro indicou o trio para acompanhá-lo no festival de 1967. A partir daí, a história do grupo se confunde com a história do movimento. A participação dos mutantes no tropicalismo é decisiva para a qualidade do movimento. O lirismo delirante e a genialidade musical de Arnaldo, o virtuosismo de Serginho e a picardia de Rita Lee encaixam-se perfeitamente com os preceitos idealizados por Veloso e Gil.

1968 foi o grande ano para os mutantes no movimento tropicalista. Nesse ano o trio participou do Álbum - Manifesto Tropicália: ou panis et circense, ao lado do Rogério Duprat, Gil, Caetano, Gal Costa, Nara Leão, Tom Zé, Capinam e Torquato Neto. Nesse disco, que é seguramente um dos o melhores feitos em todos os tempos, os mutantes se escrevem para sempre na históira da música executando Panis et Circense de Gil e Caetano.

Ainda em 68 os mutantes lançaram o seu primeiro álbum. Uma obra prima do Rock nacional, Totalmente psicodélico e fortemente influenciado pelos Beatles pós Rubber Soul. No disco os arranjos de Duprat harmonizavam muito bem com a musicalidade extravagante do trio. No disco composições de Caetano: Trem Fantasma, Panis et Circense e Baby; de Gil, Bat macumba; e de Jorge Bem, Minha menina; além de composições próprias: O Senhor X e Avis Gengis Khan.


O Segundo disco lançado em 1969 conhecido como Mutantes é uma trabalho mais autoral do grupo. Quase todas as composições são de autoria do grupo e é outro clássico da música brasileira. No Álbum duas composições de Tom Zé em parceria com a banda resultam em músicas geniais e admiráveis: A moda de viola psicodélica 2001 e Qualquer Bobagem. A beatleniana caminhante noturno e a medieval: Dom Quixote, as surreais: dia 36 e fuga nr.: 2 Também são grandes músicas. Nesse disco, além dos arranjos de Duprat, os mutantes passam a serem acompanhados de Liminha que tocava baixo e viola e do baterista Dinho Leme.


A seguir: A superação do tropicalismo, consagração da banda e o fim.

Gilberto Gil e Os Mutantes - Domingo no Parque

2 comentários:

  1. Baden e Vinicius, Elis e Astrud, Titãs e Mutantes são artistas que, de formas muito diferentes, inscreveram seu nome na música brasileira e ajudaram a divulgá-la pelo mundo inteiro. Atualmente ela chega a muitos gêneros e é respeitada por muitos músicos e outros artistas. Como estudiosa do fenômeno do MPB, estou sempre procurando sítios na Internet onde aprofundar meu conhecimento. Conheço esse que recomendo a todos os interessados
    http://cotonete.clix.pt/
    mas aceito mais sugestões.

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  2. Rita Castro,

    Que bela lista de artistas. Assino em baixo!
    Ufanismos à parte, a música popular brasileira é espetacular mesmo!
    Muito obrigado por sua visita aqui no blog e pela sua indicação.

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