terça-feira, 13 de outubro de 2009

Deixa Ela Entrar - 2008


Usar o mito do vampirismo como paralelo das dificuldades da vida adolescentes é a grande sacada de filme sueco: Deixa ela Entrar (Låt den Rätte Komma In, 2008) do diretor Tomas Alfredson. Apesar da temática semelhante à saga emo “Crepúsculo”, o filme europeu esbanja qualidades cada vez mais raras no cinema americano: a originalidade e a inteligência.

Com um roteiro que passa longe de lugares comuns, tanto no desenvolver e no tratamento que dá a narrativa e nas conclusões apresentadas; quanto na construção das personagens, que transitam de maneira inteligente entre a fantasia, por conta do viés sobrenatural da historia; e por conta do realismo, por serem absolutamente convincentes.


O filme conta a historia da amizade entre dois jovens de 12 anos: Oskar (Kåre Hedebrant) um garoto solitário que vive apanhando de uns colegas da escola e Eli (Lina Leandersson), uma vampira que apesar de viver a muito tempo, permanece presa em um corpo adolescente. Eli muda-se com um guardião (uma personagem curiosíssima, pois não fica claro sua origem ou sua real identidade, se é pai da garota ou servo), para o prédio que o garoto mora e logo percebe que ele compartilha da mesma solidão que ela. E entre esses dois outsiders se estabelecerá uma sincera amizade cheia de cumplicidade e afeto.

Outro acerto do roteiro, escrito por John Ajvide Lindqvist, é a aposta na inteligência do telespectador. O filme não oferece soluções fáceis para o entendimento do filme. Algumas pistas são reveladas, provocando e incitando a quem assiste.


Ambientado nos subúrbios gelados de Estocolmo e datado em meados dos anos 80, “Deixe ela entrar” apresenta uma fotografia que enfatiza o branco da neve e o sangue das situações violentas que harmonizam com o clima opressor da história.

O filme fez um grande sucesso no ano passado, quando rodou o mundo entre festivais e mostras de cinema e já teve os direitos adquiridos por um estúdio americano, que pretende fazer um remake e começa a ser filmado no mês que vem e será chamado: (Fish Head)??? Bom... Se conseguirem manter 50% da inteligência e da originalidade, Será melhor que a maioria das produções desse tipo .

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Gostei muito do filme!Cinema europeu é algo que geralmente surpreende...e esse não foi exceção!
    Sua crítica,só para variar,foi perfeita!

    Beijos da sua admiradora nada secreta!

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  3. Valeu, amor...
    Essa semana demos sorte na escolha dos filmes.

    Beijo e obrigado pelo comentário.

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