quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Bastardos Inglórios - 2009




Quentim Tarantino é, para o bem ou para o mal, um diretor de cinema autoral. Todos os seus filmes apresentam uma unidade estética e temática que lhe são características e são facilmente observadas em seu trabalho: a ultraviolência, as citações pop e cinematográficas e o humor corrosivo são como uma assinatura do diretor. Bastardos inglórios (Inglorious Bastards – 2009), seu novo filme tem tudo isso, para o bem e para o mal.

O filme, bem ao seu estilo, apresenta três fios narrativos: o primeiro em 1941, ano em que a França é invadida pelos nazistas e o Coronel Hans Landa (Cristoph Waltz) aborda um fazendeiro à procura de judeus escondidos. Habilmente, o militar encontra os foragidos e mata todos, menos a jovem Shossana Dreyfuss (Mélanie Laurent) que consegue escapar. O segundo foco narrativo mostra a formação dos bastardos inglórios, um grupo especial de soldados americanos de origem judaica liderados pelo Tenente Aldo (apache) Raine (Brad Pitt) que se instala na Europa para tocar o terror entre os nazistas. O terceiro foco junta os todos em um cinema onde ocorrerá uma premiere de filme dirigido pelo próprio Goebbels, onde estará a cúpula nazista incluindo o ditador alemão, Adolf Hitler. Tanto Shossana quanto os bastados inglórios estarão lá para matar a cúpula e acabar com a guerra.

A direção de elenco é, como de costume em seus filmes, excelente. Crstoph Waltz cria uma das personagens mais maquiavélica e divertida do cinema. Pitt e seu caricato Aldo também divertem. O ator parece imitar a boca de Marlon Brando - Dom Corleone em o Poderoso Chefão. Diane Kuger, B.J. Novack,, Daniel Brühl e Mike Myers, em pequena participação completam o elenco.

Bastardos inglórios é o filme mais bem acabado visualmente do diretor. Se Tarantino já em seus filmes anteriores mostrava todo um primor estético em seus enquadramentos e jogos de câmera, nesse mostra uma notável evolução plástica, tendo um cuidado maior com a fotografia, as locações e o figurino.

Se plasticamente o diretor apresenta uma grande evolução, seu texto parece acomodado. Tudo parece desculpa para o diretor mostrar seu talento para diálogos exóticos, citações pop e para criar situações bizarras. Embora tenha momentos excelentes: principalmente os que envolvem o protagonista Pitt e seu antagonista Waltz; e a imensa homenagem que o diretor faz ao cinema, mas no geral a trama é rasa e não convence. A caracterização de algumas personagens e mergulham em clichês, como o americano médio caipira, ou o gentleman inglês ou o oficial nazista malvado. Podia ser melhor.

O filme não chega a decepcionar, mas também não arranca suspiros. Um Tarantino menor.



O elenco e o diretor ao centro

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