quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Arnaldo "Loki" Baptista



Dizer que Arnaldo Baptista foi somente o maior gênio do rock nacional é limitar a grandiosidade da colaboração que o eterno mutante dedicou a música brasileira.

Arnaldo, Sérgio Dias e Rita Lee formaram os mitológicos “OS Mutantes”, banda que fez parte do movimento tropicalista liderados por Caetano e Gil.
Os mutantes eram na essência uma banda de rock, mas a erudição, o virtuosismo musical e a criatividade delirante de Arnaldo, que aliava o bom e velho Rock and roll a música popular brasileira, criavam um som moderno e diferente de tudo que já se havia escutado até então. A música era universal, pois continha rock da melhor qualidade, mas sem deixar de lado as influências brasileiras.

A obra do músico não cabe em rótulos de gêneros. O único rótulo que cabe para situar a obra de Baptista é de genial. Prova disso são todas as manifestações de respeito e de admiração que pessoas do meio musical apresentam ao falar de Arnaldo. Músicos de renome internacional como Kurt Cobain, Sean Lennon, Beck se disseram fãs do mutante.

O maestro Rogério Duprat, arranjador de boa parte dos discos da tropicália, viveu de perto com Arnaldo e afirmou em entrevista: “Os Mutantes foram a coisa mais importante do tropicalismo. E ninguém conseguiu deixar isto claro. Mas eu sei bem disso que a cabeça disto tudo, a cabeça dos Mutantes era o Arnaldo Baptista”.

Gênio ou louco?

Desde o romantismo o conceito de genialidade e loucura serem lados de uma mesma moeda passou a assumir um caráter mais efetivo. O artista passou a inconformado, louco excêntrico e visionário. Arnaldo permitiu-se alcançar esse estado, liberando completamente sua imaginação e sua criatividade. É verdade que às vezes as custas dos estímulos de drogas, que podem ter comprometido sua sanidade e abreviado até certo ponto sua carreira.

Arnaldo, a partir de meados dos anos 70,começou apresentar alguns problemas mentais, devido as fortes pressões que a vida lhe apresentava. Foi internado diversas vezes e em 1980 sofreu o acidente que quase lhe custaria à vida. Arnaldo sobreviveu, mas as seqüelas do acidente estão visíveis até hoje.

Baptista foi um dos artistas que melhor soube transformar seus demônios internos em expressão artística. Depois da a maravilhosa e incomparável fase dos Mutantes de 1968 até 1973 onde o talento juvenil de Arnaldo ainda apontava para uma tônica delirante e divertida deu espaço para a dor nos discos da sua carreira solo, principalmente com “Loki” de 1974, sua obra prima e Singin’ Alone de 1982.

O blog, nos próximos dias, vai prestar uma homenagem ao grande "Loki" Arnaldo Dias Baptista. Esse artista de sensibilidade instigante e talento desafiador que teve e tem uma vida cheia de contrastes: fama e esquecimento, alegria e tristeza, genialidade e loucura, sofrimento e redenção.

Sean Lennon & Arnaldo Baptista - Free Jazz Festival, 2000
Panis et Circense

Um comentário:

  1. Beto,vc consegue sempre acertar em cheio em suas homenagens!

    Adorei assistir ao documentario sobre o Arnaldo Baptista ao seu lado!E confesso que não conhecia muito sobre esse grande músico e sobre a banda...Vergonha...rsrsrs.
    Mas,o Delicadamentemaleducado está aqui para cumprir sua função e corrigir esses pequenos deslizes!
    Grande músico esse Arnaldo!

    Excelente crítico esse Beto Eraserman Gambs!

    Beijos meu amor!

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