terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Anticristo - 2009 Lars Von Trier

Obra-prima ou lixo pornográfico sadomasoquista?
Depois de muito ouvir e ler a respeito da repercussão e o alvoroço que “O Anticristo” (The Antcrist 2008), filme que o diretor dinamarquês Lars Von Trier apresentou esse ano no festival de Cannes, fiquei extremamente curiosos para ver o filme. Queria descobrir se o filme era o fiasco que grande parte da imprensa apregoou por ai ou se Von Trier estava certo ao declarar que era o melhor cineasta do mundo, como afirmou em na coletiva do festival.
Bom, depois de assistir ao filme entendi o porquê de tamanha espuma.
Gainsbourg e Dafoe
O filme fica entre: o maior pesadelo sobre sexo e culpa já filmado ou se Ingmar Bergman tivesse filmando a Bruxa de Blair. A narrativa apresenta um casal formado por William Dafoe, um terapeuta e Charllote Gainsbourg, uma mestranda (ambos não possuem nomes próprios aplicando assim uma dimensão universal à história). Após a morte de filho do casal, eles se isolam em uma cabana no meio de uma floresta ironicamente chamada de “Éden” na tentativa de uma superação do trauma. Mas lá, naquela cabana isolada, bem no meio de uma floresta assustadora cheia de arvores retorcidas, animais mortos e sons assustadores o casal mergulha em um inferno violento e obsessivo.
Dafoe
Permeado por momentos que se opõem: às vezes de beleza irresistível, como o seu prólogo todo estilizado e poético ao som de Lascia Ch’io Pianga, de Handel; e de cenas que incomodam assustadoramente, com as mutilações explícitas de órgãos genitais e as violentas ao extremo e o final bizarro e enigmático. Na sessão que assisti ao filme, presenciei as mais variadas reações. Desde um doido que roncava nos momentos mais violentos do filme e pessoas que riam nas cenas mais improváveis do filme.
Pesadelos fantasmagóricos  
O roteiro do filme foi escrito por Von Trier ao meio de uma severa depressão que quase o impediu de filmar. O diretor disse que tirava as idéias para as cenas de sonhos e pesadelos que teve no período. O filme é rico em símbolos e mensagens bem difusas. Em Cannes, esse ano, na apresentação do filme um jornalista inglês indagou ao cineasta o sentido e exigiu dele uma explicação para o filme. O diretor respondeu sem a menor cerimônia que: “Não tenho que me justificar. Eu faço filmes e isto é fruto da vontade de Deus. Além disso, sou o melhor diretor de cinema do mundo”. E depois disse as descontentes que: “agradou a mim que foi eu que fiz, ok. Não agradou você? Sem problemas. Está cheio de filmes que atendam suas expectativas de final feliz“. A primeira resposta foi forçada, mas eu achei que na segunda ele matou a pau”.
O filme tem suas qualidades técnicas inegáveis! Ao começar pelo trabalho dos atores. Dafoe tem aqui seu melhor desempenho em anos e Charlotte despeja toda a fragilidade e o desespero que sua personagem necessita. A Fotografia de Anthony Dod Mantle apresenta uma classe e um acabamento ao filme, que nada lembra os minimalismos estéticos do Dogma 95 que o cineasta apresentou ao mundo na década passada.

Simbolos Obscuros
O Anticristo é o filme mais autoral e visceral de Von Trier. Apesar de irregular, é muito melhor que 80 por cento (se não for mais) dos lançamentos que vi esse ano. Vale uma assistida para contemplar as reminiscências religiosas e pessoais do diretor, elogiar sua coragem de se despir das aparências publicamente causar um sem-números de sentimentos e sensações que o filme causa em quem assiste e ainda mergulhar no caos.
O caos reina!
Dafoe, Von Trier e Gaisnbourg

6 comentários:

  1. Sou admirador do trabalho do Lars , e assisti ao original da década de 70 . Depois de " O filme fica entre: o maior pesadelo sobre sexo e culpa já filmado ou se Ingmar Bergman tivesse filmando a Bruxa de Blair " .

    Não só vou conferir , como postarei em meu blog .

    Saúde e sucesso , forte abraço .

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  2. Meu querido,foi uma experiencia visceral!
    Ele faz filmes para ele mesmo e ponto.
    As cenas iniciais foram das coisas mais belas que já vi...a fotografia,sem comentários!
    Agora...as bolotas de carvalho são coisas que dispenso:não,muito obrigada!rsrsrsrsrsrs
    É um filme denso,indigesto...mas tem seus méritos,sim.Eu diria apenas que achei inclassificável...

    Mas foi maravilhosa a sessão de comentários que fizemos a caminho de casa,não?Perfeito!

    Beijos loucos de saudade...

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  3. E ai, Rodrigo Carioca....blz?

    Vale a pena assistir ao filme. Eu recomendo.
    O Anticristo certamente não agradará a todos os gostos, mas a julgar pelas escolhas dos filmes que você coloca no seu blog( Bunnuel e Jordovski), tenho certeza que vais gostar.

    Grande abraço,

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  4. Gambs, meu amor!

    Muito boa sua análise. Também diria que o filme foi denso, indigesto, mas com méritos.
    Tenho certeza que Von Trier ficaria satisfeito com o título de inclassificável que você conferiu ao filme dele.

    Tens razão. Os comentários pós-filme foram show de bola. Adorei!

    Ah...você não gostou das bolotas? Que pena...tinha comprado umas para ficar jogando na janela do nosso quarto(rsrsrs).

    Muitos, mas muitos mesmo, beijos apaixonados para você, minha querida.

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  5. Será que ele iria aprovar meu comentário mesmo?Sei não...ele é meio temperamental.rsrsrs

    Amor...compraste bolotas de carvalho para jogar na nossa janela?Obaaaaa!!!Ao seu lado,até barulho assustador tá valendo!rsrsrsrs
    Assim,aproveito para te abraçar mais apertado ainda...

    Beijos,beijos e mais beijossss!

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  6. Ola,

    Notei no blog de vocês que estão falando do filme Anticristo da California Filmes.

    Gostaria se possivel de algum contato para que possamos trabalhar sempre juntos.

    Podemos fazer variadas parcerias promocionais. O que acham?

    Atenciosamente

    rodrigo@californiafilmes.com.br

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