segunda-feira, 27 de julho de 2009

Murilo Mendes

NOVÍSSIMO PROMETEU

Eu quis acender o espírito da vida,
Quis refundir meu próprio molde,
Quis conhcer a verdade dos seres, dos elementos;
Me rebelei contra Deus,
Contra o Papa, os banqueiros, a escola antiga,
Contra minha família, contra meu amor,
Depois contra o trabalho,
Depois contra a preguiça,
Depois contra mim mesmo,
Contra minhas três dimensões:

Então o ditador do mundo
Mandou me prender no Pão De Açúcar:
Vêm esquadrilhas de gaviões
Bicar o meu pobre fígado.
Vomito bilis em quantidade,
Contemplo lá em baixo as filhas do mar
Vestidas de maiô, cantando sambas,
Vejo madrugadas e tardes nascerem
- Pureza e simplicidade da vida! -
mas não posso pedir perdão.

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