sábado, 18 de julho de 2009

Histórias Repentinas - Laerte Coutinho


No Brasil nos anos 80, tivemos o aparecimento da Crico Editrial que tinha um proposta nova em quadrinhos de humor e adulto: lançar revistas como a Circo, a Chiclete com Banana e a Níquel Nausea e assim suprimir a demanda por quadrinhos adultos. Dessa geração de autores vieram: Angeli, Laerte, Luis Gê, Glauco entre outros, cheio boas novas para contar. Essas revistas ainda traziam o que de melhor era publicado no mundo em quadrinhos underground feito no mundo . Foi naquelas páginas que eu conheci Robert Crumb e Moebius, por exemplo.

Eu Adorava aquelas revistas! Sobretudo as histórias do Angeli com seus heróis cafajestes e aproveitadores e o seu humor rasgado no limite do aceitável. As historias líricas e delirantes do Luis Gê. O humor certeiro e instantâneo das histórias do Glauco. Mas para mim, a melhor parte eram as sensacionais histórias esparsas de autoria do Laerte.

A editora devir lançou em 2002 uma coletânea chamada "histórias repentinas". Nesse livro temos algumas das melhores historias criadas pelo cartunista paulistano, como por exemplo, a Kafakaniana "A Crise", em que um homem que tem um importante cargo público percebe que saiu de casa pela manha e esqueceu-se de um pequeno detalhe: colocar as calças. Ele circula por lugares cheio de pessoas e essas parecem nem perceber ou se importar como o fato de ele estar sem as calças.

Outra historia bem gênial é a “Lingerie" a qual um notório machão acorda atrasado para ir trabalhar e não encontra uma cueca para vestir, desse jeito, veste uma calcinha da sua esposa, mas por ironia do destino e atropelado e morre. Quando levam seu corpo para necropsia, percebem que ele está usando uma delicada Lingerie, e isso destrói sua reputação até no além.

O livro ainda tem a obra- prima do artista, "a Insustentável leveza do Ser" que narra em poucas páginas à história de um rapaz que na manhã que completaria 18 anos, seu pai lhe revela que não é seu pai, que na verdade nem homem é, e sim uma tia distante que usou uma fantasia durante todos esses anos. E isso é só o começo, depois seu pai (ou tia) lhe revela que sua mãe é na verdade é um leiteiro e sua irmã e uma atriz contratada e nem ele é mesmo o que parece ser. A história ainda tem um final tão absurdo e bombástico quanto toda narrativa. Excepcional!

Histórias repentinas é um livro que oferece diversão em vários níveis. É possível se divertir com as gags despretensiosas do autor como também das situações absurdas e nonsense mais elaboradas. A inventividade das histórias ainda é completada pelo traço competente polivalente que não se limita ao cartunesco, mas também não o despreza. Um livro para diversão, no melhor sentido da palavra.

2 comentários:

  1. Nossa,amor...acredita que lembro das histórias "Crise" e "Lingerie"???
    Esse cara é genial!

    Tb gostava demais dos outros...acompanhava as tiras na Folha de S. Paulo...Los três amigos...era muito bacana!O Angeli bacanérrimo...mas o meu favorito sempre foi o Glauco.

    Mais uma vez...bom demais recordar essas coisas contigo!

    Beijos acalorados,meu amor!

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  2. Pois é, Gambs
    Os três eram muito bons mesmo, mas o Laerte tinha algo mais, suas histórias eram mais bem acabadas e e melhor construidas..."A Insustetável levesa do ser", por exemplo, é uma das melhores coisas que já li na vida.

    Obrigado pelo comentário, meu amor.

    Lips like sugar....sugar kissies for you!

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