terça-feira, 2 de junho de 2009

Vladmir Maiakóvski



"Sem forma revolucionária não há arte revolucionária"

Vladímir Maiakóvski nasceu na Geórgia em 1893. Com a morte do pai, um guarda florestal, muda-se com a mãe e as irmãs para Moscou em 1906. influenciado pela literatura socialista e marxista, filia-se ao Partido Social-Democrático Operário Russo, ligando-se a ala bolchevique e passa atuar em atividades dessa entidade

Estudou na Escola de Belas Artes entre 1911 e 1914 quando foi expulso por suas atividades politicas. Nessa mesma época, fundou o movimento cubo-futurista, influenciado pela vanguarda liderada por Marinetti na Itália.

Depois da revolução de Outubro em 1917, os cubo-futuristas aderem ao novo regime e Maiakóvski intensifica seus trabalhos políticos: escreve e desenha cartazes publicitários e lança a revista "Lef" (de Liévi front" -- frente de esquerda), que ansiava aliar arte revolucionária e luta pela transformação social.

O forte tom inconformista do poeta passa a incomodar a nova elite social russa. Seus poemas e peças passam a sofrer perseguições, criticas e até censura. Em uma famosa discussão pública travada com estudantes no auditório Instituto Plekhânov de Economia Popular os jovens lançam velhas acusações: "incompreensível para as massas", "usa palavras indecentes", etc. Maiakóvski replica: "Quando eu morrer, vocês vão ler meus versos com lágrimas de enternecimento".

Maiakóvski foi talvez o artista que melhor sou retratar a contradições de seu tempo e do seu País: foi de patriota e ufanista, passou a ser crítico e desiludido com o novo regime e sua burocracia.

Sua vida pessoa também foi muito conturbada. Tinha grande facilidade a se apaixonar por mulheres já comprometidas, o maior exemplo foi Lilia Brik, sue grande amor e esposa de Óssip Brik.

Todos essas adversidades junto aos sérios problemas afcçiosos que teve na garganta, impedindo-o de recitar seu versos em público, geraram um estado de depressão muito forte no poeta, e devem ter contribuído para que tenha resolvido tirar sua própria vida aos 36 anos com um tiro no peito em 14/04/1930.

Maiakóvski Foi a voz mais forte da poesia contemporânea russa e umas das maiores mundiais. Nota-se um envelhecimento de sua obra com viés politico, porém, nos versos de amor e satíricos ele se condenou ao inexorável, como salientou Augusto de Campos, em trecho do livro (Maikóvski - Poemas de 2003 Ed. perspectiva). "O que salvou a poesia de Maiakóvski do aniquilamento pelo discurso político foi a rebeldia selvagem de seu talento. Para o amor e para o humor."

A FLAUTA-VÉRTEBRA
Tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman


A todas vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e
[ celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.


ESCÁRNIOS
(tradução:Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)

Desatarei a fantasia em cauda de pavão num ciclo de matizes, entregarei a alma ao poder do enxame das rimas imprevistas.
Ânsia de ouvir de novo como me calarão das colunas das revistas esses que sob a árvore nutriz es-
cavam com seus focinhos as raízes.

EU
(tradução: Haroldo de Campos)

Nas calçadas pisadas
de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneo de frases ásperas
Onde
forcas
esganam cidades
e em nós de nuvens coagulam
pescoço de torres
oblíquas

soluçando eu avanço por vias que se encruz-
ilham
à vista
de cruci-
fixos
polícias

FRAGMENTOS

1
Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom senso

2
Passa da uma
você deve estar na cama
Você talvez
sinta o mesmo no seu quarto
Não tenho pressa
Para que acordar-te
com o
relâmpago
de mais um telegrama

3
O mar se vai
o mar de sono se esvai
Como se diz: o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites
Inútil o apanhado
da mútua dor mútua quota de dano

4
Passa de uma você deve estar na cama
À noite a Via Láctea é um Oka de prata
Não tenho pressa para que acordar-te
com relâmpago de mais um telegrama
como se diz o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites inútil o apanhado
da mútua do mútua quota de dano
Vê como tudo agora emudeceu
Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu
em horas como esta eu me ergo e converso
com os séculos a história do universo

5
Sei o puldo das palavras a sirene das palavras
Não as que se aplaudem do alto dos teatros
Mas as que arrancam caixões da treva
e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro
Às vezes as relegam inauditas inéditas
Mas a palavra galopa com a cilha tensa
ressoa os séculos e os trens rastejam
para lamber as mãos calosas da poesia
Sei o pulso das palavras parecem fumaça
Pétalas caídas sob o calcanhar da dança
Mas o homem com lábios alma carcaça

MANHÃ
(Tradução: Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)

A chuva lúgubre olha de través.
Através
da grade magra
os fios elétricos da idéia férrea -
colchão de penas.
Apenas
as pernas
das estrelas ascendentes
apóiam nele facilmente os pés.
Mas o destroçar dos faróis,
reis
na coroa de gás,
se faz
mais doloroso aos
buquêshostisdasprostitutasdotrotoar.
No ar
o troar
do riso-espinho dos motejos -
das venenosas
rosas
amarelas se propaga
em zig-zag.
Agrada olhar de
trás do alarde
e do medo:
ao escravo
das cruzes
quieto-sofrido-indiferentes,
e ao esquife
das casas
suspeitas
o oriente
deita no mesmo vaso em cinza e brasas.

ALGUM DIA VOCÊ PODERIA?
( Tradução: Haroldo de Campos)

Manchei o mapa quotidiano
jogando-lhe a tinta de um frasco
e mostrei oblíquoas num prato
as maçãs do rosto do oceano.
Nas escamas de um peixe de estanho,
li lábios novos chamando.
E você? Poderia
algum dia
por seu turno tocar um noturno
louco na flauta dos esgotos?


Fontes:
Internet - Revista Eletrônica APROPUC -Associação dos professores da Puc- SP - http://www.apropucsp.org.br/revista/rcc01_r10.htm
"Dossiê Maiakovski"
-Cronologia por Boris Schnnaiderman
-Um Toque de Balalaica para Maiakoviski - poeta da voz e
do gesto por Edilene Dias Matos
Livro - CAMPOS, Augusto e Haroldo de; SCHNNAIDEMAN, Boris - MAIAKÓVSKI - Poemas / 2003 perspectiva.

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