sexta-feira, 19 de junho de 2009

Pickpocket - Robert Bresson


"Bresson é o cinema francês, assim como Dostoievski é a literatura russa e Mozart é a música alemã".(Jean- Luc Godard)

Pickpocket(1959) de Robert Bresson narra em primeira pessoa a história de Michel(Martin LaSalle), um jovem pobre e desempregado que se rende às facilidades da vida criminosa, tentando a sorte nas ruas de Paris roubando bolsas e carteiras. Logo em seu primeiro roubo, no jockey, vemos sua mão tremula e exitante, tanto por medo ser descoberto como pelo aspecto moral, tirar o dinheiro de dentro de uma bolsa de mulher. Ele é detido, mas por faltas de provas liberado. Naquele momento ficou claro que a personagem deu uma passo do qual não poderá voltar atrás.

Michel tem uma mãe a quem pouco visita depois de ter sido detido. Seu contatos com ela, se dão através da doce Jeanne (Marika Green) , vizinha de sua mãe e por quem o jovem sente algum afeto, embora viva a fugir desse sentimento. O Protagonista tem também um amigo, Jaques(Pierre Leymarie) que frequentemente se opõe a sua falta de iniciativa e a sua visão de vida, porém tenta em alguns momentos ajudá-lo.

A personagem conhece um batedor de carteiras experiente e talentoso, que lhe ensina todos os truques e treina suas habilidades para a arte do roubo . Influenciado pela leitura de "Prince of the Pickpockets", de George Barrington, livro que conta a história de um lendário batedor de carteiras na Londres vitoriana, e com suas novas qualidades adquiridas se associa a mais dois marginais e segue pelas ruas de Paris, em estações de trem e filas de banco dando seus golpes com sucesso.

Orgulhoso de sua realizações, Michel passa a nutrir um sentimento de superioridade, que o leva a cada vez mais ousar nos seus golpes. Esse onda de assaltos chamam a atenção da policia, em especial do Inspetor principal(Jean Pélégri), que acompanhava o Jovem desde sua primeira detenção e passa a pressioná-lo.

Sua mãe falece e Jaques se envolve amorosamente com Jeanne. Por esses fatos e a aproximação da policia, Michel decide viajar, não havia mais nada em Paris para ele.
Roda pela Europa por dois anos e volta falido.

De volta a Paris, a policia arma um estratagema para pega-lo, e consegue. Na prisão, Michel recebe a visita de Jeanne , que teve um filho de Jaques, mas que agora estavam separados. Desse encontro começa a nascer um romance que o faz se arrepender de seus atos .

Os filmes de Bresson tinham esse elemento moralizador, como vimos acima. Frutos de suas fortes convicções religiosas, que refletiam tanto tematicamente com esteticamente na sua obra. O diretor não utilizava atores profissionais para conseguir uma interpretação desdramatizada, sem expressões ou sugestões, do modo que o espectador tivesse que prestar atenção aos sons e a fotografia para entender a história. Aliás, entender não, sentir. Bresson aconselhava a não tentarem entenderem um filme seu, e sim senti-lo, pois queria "alcançar os sentidos antecedam a inteligência", dizia.

O Filme, tecnicamente é espetacular! Possui uma trilha sonora bem apropriada, a magnífica Atys de Jean Baptiste Lully, uma fotografia bem cuidada e muito nítida e um movimento de câmeras mágico. Têm também as famosas cenas dos assaltos, todas coreografadas que mais parecem um "ballet de mão" como são conhecidas.

A Filmografia do realizador francês é uma das mais reverenciadas e importantes do cinema de todos os tempos. Bersson utilizou "Crime e Castigo" de Dostoievski bem levemente para base do roteiro, que Paul Schrader, Diretor e roteirista americano, descreveu como "uma absoluta obra-de-arte" e "tão próxima da perfeição quanto se possa ser.", E na minha humilde opinião, poucos filmes merecem uma nota dez, esse é um deles.



Michel(Martin LaSalle)



Green e LaSalle

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