terça-feira, 9 de junho de 2009

O Ódio (La Haine) - 1995 Mathieu Kassowitz

"Essa é a história de um homem que cai de um prédio de 50 andares. Durante a queda, ele repete sem parar, para se reconfortar: ‘Até aqui tudo bem, até aqui tudo bem, até aqui… tudo bem.’ O importante não é a queda, é a aterrissagem."
O narrador em o Ódio.

A historinha acima abre e fecha o filmaço o Ódio (La Haine - 1995), do realizador Francês Mathieu Kassowtiz. Ela seve de metáfora para a sociedade, que como homem acima está em queda vertiginosa, prestes a se estatelar no chão.

Feito em tom documental e fotografado em um estilizado preto&branco, o filme conta a história de três jovens de origem étnicas diferentes: um judeu, o explosivo Vinz (Vincent Cassel); um árabe, Said (Saïd Taghmaoui); e um negro, o consciente Hubert (Hubert Koundé), que vivem nos subúrbios de Paris.

Certa noite, no bairro onde moram, aconteceram alguns distúrbios que resultaram em confrontos entre os jovens e os policiais. Um dos militares perdeu o controle da situação e espancou brutalmente Abdel (Abdel Ahmed Ghili), um amigo do trio, deixando este à beira da morte. Fato esse que revolta aos moradores, principalmente Vinz, que promete revidar e matar o guarda que agrediu seu amigo.

O Subúrbio parisiense é como um barril de pólvora, e a agressão serve de estopim para a guerra civil que está prestes a estourar entre os policias e os jovens pobres suburbanos. O filme mostra honestamente e sem tomar partido ou justificar a barbárie da juventude de classes baixas, que em como em muitos países, sem oportunidades e referências morais, são empurrados para a criminalidade. A tragédia se anuncia.

A Câmera acompanha bem perto os três protagonistas e apresenta seus dilemas morais, seu contato direto com a violência, as drogas, a total falta de perspectivas e o preconceito. Impressionante que ainda hoje, quase quinze anos depois, a França do Sarkozy continua apresentado os mesmo problemas sociais referentes ao imigrantes.

Mathieu Kassovitz ganhou o prêmio de melhor realizador do festival de Cannes de 1995 e era uma das grandes promessas do Cinema Mundial. Pena que não se cumpriu a escrita e hoje só faz bobagens como meia-boca Rivières Pourpres, Les, 2000 (Rios Vermelhos), o medonho Gothika, 2003 (Na companhia do medo) e o estroso Babylon AD, 2005.

Cinema com "C" Maiúsculo!

Taghamoui, Koundé e Cassel

Cassel, em frente ao espelho brincando de Travis Brickle(Taxi-driver)

4 comentários:

  1. ah, não fala assim dele! ele atua todo bonitinho, tb... é o fofo da Amelie Poulain, por exemplo! (rsrs)

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  2. Olá Kika,

    Você tem razão, ele é um bom ator mesmo.
    Em Amelie Poulain ele está muito bem.
    Só deixo o "fofo" por sua parte.

    Bj

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