segunda-feira, 29 de junho de 2009

Lord Byron

Versos inscritos numa taça feita de um Crânio:
Tradução: Castro Alves

Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie e terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora e;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as fontes geram tal tristeza
Através da existência curta de um dia,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia

2 comentários:

  1. Nossa...sabes bem como tais textos não me provocam comoção...Mas desse eu gostei!
    Remete às frias bancadas do laboratório de anatomia.Evoca um respeito absoluto pela memória alheia,ignorada...
    Belo post,Eraserman!

    beijos

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  2. Gambs,

    Seus olhos sempre me impressionam, como também sua sensibilidade!

    Belo comentário!

    Beijos

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