sexta-feira, 5 de junho de 2009

Ernesto Sabato - O Túnel


Quem me conhece sabe do apreço que tenho pela literatura latino-americana, principalmente pela argentina. Nomes como Adolfo Bioy Casares e Jorge Luís Borges fazem parte dos meus escritores preferidos de sempre. Recentemente, conheci mais um autor da terra do tango que muito me impressionou: Ernesto Sabato, que me foi apresentado por sua novela: O túnel, publicada em 1948.

A narrativa se dá em primeira pessoa e é feita em tom confessional. Juan Pablo Castel, o narrador, é um conhecido pintor que relata o crime que cometeu (calma Edu, não estou contado o final do livro como fiz da outra vez). Ele Assassinou Maria Iribarne, mulher como quem teve um conturbado romance. Através de suas memórias, ele procura reconstruir os fatos e os sentimentos que o levaram ao crime. O criminosos não está em busca de perdão, mas para fazer com que alguém, "ainda que uma só pessoa" no mundo, o entenda.

Castel conta então como conheceu Maria, por acaso, em uma de suas exposições. Como foi desenvolvendo sua obsessão e suas fantasias pela moça, sua busca por ela, até o seu processo de degradação por Maria, o que culminou com o assassinato.

O livro toca em temas como: a incomunicabilidade nas relações humanas e o isolamento existencial da personagem, o que toma tudo mais dramático é que Maria, segundo as palavras Juan Pablo, era a única pessoa no mundo que o entenderá de verdade. Mas o sentimento que move a narrativa, bem como o comportamento de Juan Pablo é os ciúmes.

O ciúme patológico destrutoi todas as possibilidades de felicidade das personagens. Sabato, assim como Machado de Assis fez em Dom Casmurro, não dá uma dimensão exalta do caráter das mulheres. Assim como não sabemos e nunca saberemos se Capitu, a mulher com "olhos de ressaca" traiu Bento, nunca saberemos se Maria era ou não dissimulada, pois os dois narradores não são confiáveis. Para falar a verdade isso não importa, os livros não são sobre a traição e sim sobre pessoas que não conseguem domar seus impulsos dominadores e como esse vil sentimento turva a visão dos homens que não sabem amar.

Belo livro!

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