terça-feira, 9 de junho de 2009

A Dama de Shanghai - Orson Welles (1947)


Sim, esse é um autentico noir! Aqui temos a femme fatale estonteante (Rita Rayworth de cabelos curtos e louros, lindíssima), o anti-herói ora cínico, ora ingênuo (Welles), a trama mirabolante com crimes misteriosos e repletas de reviravoltas e a famosa narração em off.
Sim, já disse, é um filme noir, mas com um agravante: um filme noir com a assinatura de gênio de Orson Welles.

A Dama de Shanghai (The Lady of Shanghai) foi lançada em 1947, Welles além da direção foi responsavel pela produção, interpretou o papel principal masculino e escreveu roteiro com base no romance If I Die Before I Wake de Sherwood King.

O filme narra a história de Michael O'Hara (Orson Welles), um marinheiro que vê a "fatal" Elsa Bannister (Rita Hayworth) sendo assaltada por três homens. Ele a salva e se apaixona instantaneamente por ela. No dia seguinte o marinheiro recebe a visita de Arthur Bannister (Everet Sloane), marido de Elsa e um famoso advogado criminalista. Ele o convida para que trabalhe em seu iate durante uma viagem que o casal fará. Michael aceita o trabalho devido à atração que sente por Elsa, mesmo sentindo que por trás do convite existe algo de errado. Na viagem conhece o sócio de Arthur, George Grisby (Glenn Anders), que oferece a Michael US$ 5 mil para que esse o ajude a simular sua morte. O´Hara aceita a oferta, de olho no dinheiro e na possibilidade de fugir com a garota, mas se envolve em uma intrincada trama onde nada nem ninguém é o que parece.

Welles teve muita dificuldade para finalizar filme. Sua fama de difícil e o evento "Cidadão Kane" começavam a fechar para ele as portas de Hollywood. A permanência do diretor no filme foi bancada por Hayworth, sua esposa na época e principal estrela do cinema americano. Para retribuir, Welles deu a esposa um papel memorável, embora Rita permanecerá eterna por Gilda, aqui a vemos em uma maravilhosa interpretação. Sua Elsa é a epítome da mulher fatal! Em um momento angelical, frágil e apaixonada, em outro demoníaca, manipuladora e dominadora .

Infelizmente, o desempenho do filme nas bilheterias não foi dos melhores, como também não agradou a critica da época. Depois desse filme a carreira do diretor na américa foi interrompida(o realizador só voltaria a fazer outro filme americano em 1958, o não menos genial A marca da Maldade). E o resultado artístico do filme não agradou Welles. A Columbia Pictures desprezou a montagem de Welles excluindo 68 minutos de filme e o lançando com apenas 87 minutos e não com os 155 idealizados pelo realizador. Entretanto, o filme atravessou os anos e foi conquistando seu espaço na história do cinema, e hoje, 50 anos depois, é um dos maiores clássicos de todos os tempos.

Além de todo o visual estilizado, marca pessoal do diretor, nesse filme podemos notar o talento dramatúrgico de Welles tanto na confecção do enredo como na inteligência dos diálogos.

O filme chega ao clímax com a famosa sequência de cenas no labirinto dos espelhos, uma das cenas mais homenageadas e representativas da história do cinema.

Cinema com "C" maiúsculo!


Hayworth e Welles em cena do filme

Rayworth sem as madeixas longas vermelhas que encantava os homens

O clímax do filme na famosa sequência dentro do labirinto de espelhos

Slaone e Hayworth em outra tomada no labirinto

3 comentários:

  1. Nossa...a beleza dessa mulher era algo avassalador,não?Nunca tinha visto nenhuma imagem dela loira...Poderosíssima!!!

    ResponderExcluir
  2. Pois é San,

    De cabelos curtos ainda...
    hummmm...(rsrsrs)

    bj

    ResponderExcluir
  3. Mulher do topo da árvore...meu caro...rsrsrs...

    bjs

    ResponderExcluir