segunda-feira, 8 de junho de 2009

Anjo Exterminador (El angel exterminador, 1962) Luis Buñuel

"A moral burguesa é, para mim, uma imoralidade contra a qual há de se lutar; esta moral que se baseia em nossas instituições sociais mais injustas como o são a religião, a pátria, a família e a cultura, em suma, o que se denomina os pilares da sociedade." Luis Buñuel

Esse é o culpado senhoras e senhores! Esse é o filme que vi no início da minha adolescência e que deixou danos cerebrais irreversíveis. Por causa desse filme, apaixonei-me loucamente pela arte cinematográfica, comecei a definir minha concepção pessoal de arte e até construir minhas convicções políticas, filosóficas e políticas.

Na segunda metade dos anos 80 eu já gostava muito de cinema e constantemente desafiava as ordens de meus pais e ficava acordado até tarde para assistir aos filmes que passavam na rede globo logo após o jornal de fim de noite. Naquela época não havia videocassete e nem TV a cabo, portanto, era a única forma de ver cinema de verdade.

Lembro que vi: Doutor Fantástico do Kubrick, O Selvagem da Motocicleta do Coppola, Vidas Amargas do Kazan, A Felicidade não se Compra de Capra, Rebeca do Hitchcock, entre outros tantos filmes que foram muito importantes para a minha formação, mas aquele que bateu mesmo foi essa obra-prima fantástica do cineasta espanhol.

Último filme da fase mexicana do diretor, O Anjo Exterminador narra à história de um grupo de burgueses que depois de uma assistirem uma ópera, dirigem-se para a mansão do casal Nobile para um jantar e consequentemente um reunião. Dentre eles está a nata da alta sociedade: artistas, políticos, intelectuais e doutores que, inexplicavelmente, não conseguem deixarem a sala que estão e irem para a casa no fim da reunião. Em contrapartida todos os empregados da casa, com exceção do mordomo, abandonam o local pressentindo que algo errado estava prestes a acontecer.

Presos sob esse cárcere invisível, os finos e educados aristocratas vão se despindo das máscaras das aparências e revelando sua verdadeira face animalesca frente às severas privações de alimentos, de intimidade e de espaço que lhes são misteriosamente infligidas pelo exilio.

Apesar de simples, o roteiro é genial por sua complexidade e as suas mais possíveis interpretações. Ele foi escrito por Buñuel, baseado em argumento escrito pelo cineasta e Luis Alcoriza. Tem como principal qualidade o tom critico frente às elites burguesas, as convenções sociais e as autoridades instituídas.

Quando as personagens ficam presas, a trama passa a ter papel secundário e vai dando espaço aos delírios e pesadelos dos convidados, despejando o nonsense daquela situação absurda nas suas consequências, as traições, a mesquinharia, a podridão, a degradação e a morte.

O filme é a condenação de Buñuel à burguesia ao inferno! Obra radical do mestre que só encontra paralelo em sua própria filmografia, no surrealismo inconformista presente nos O fantasma da liberdade, L'age d'our e Um Cão Andaluz e no tom contestador de "O discreto charme da burguesia".

Só para constar: naquela fatídica noite, eu não consegui dormir pelo horror que corriam pelos pensamentos e as inquietações que o filme despertou!
O filme da minha vida! Cinema com "C" maiúsculo!
As pessoas na sala de jantar...

7 comentários:

  1. parabens pelo blog

    www.renatoesportes.blogspot.com

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  2. Zé, depois de tanto tempo sendo uma leitora anônima, finalmente decidi fazer um comentário aqui! E logo em que post, hein...
    Eu nunca vi esse filme, mas só pelo jeito como vc o descreveu, e também pela maneira como vc narra o que sentiu durante e depois de assistir, te juro: a vontade é de passar correndo na primeira locadora que aparecer (aliás... RIP Charm Video, ha). Dá um pouco de medo, mas a curiosidade é maior...
    Obrigada pela dica!
    Beijo,
    Juliana

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  3. Renato:

    Obrigado pelo comentário.

    Um abraço,

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  4. Oi Ju,

    Quem bom que você resolveu dar o ar da graça hein.

    Fico muito contente e honrado que você goste do blog. Sempre que tiver vontade, faça seus comentários aqui. Serão muito bem-vindos.

    O filme é muito bom mesmo. se quiser, passe em casa que eu tenho e te empresto.

    Beijo

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  5. Tb fiquei curiosa,Eraserman...
    Mas o medo é maior!Aguardo companhia para vê-lo.

    Adorei as imagens sobre a Frida Khalo!!!Hummm...que tudo!

    Beijos

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  6. Obrigada,gentil cavalheiro...

    bjs

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