quarta-feira, 20 de maio de 2009

William Blake



Willian Blake(1757/1827- Londres) faz parte daquele tipo de artista geniais que tiveram uma vida miserável, na pobreza(trabalhou como ilustrador em uma fábrica de porcelana, para garantir seu sustento) , sem reconhecimento em vida, mas, continuaram fieis ao seus ideais e o tempo tratou de fazer justiça e canonizá-los mais tarde(o poema o Tygre, segundo o crítico Harold Blomm, faz parte do cânone ocidental) .

Foi ilustrador, pintor e poeta, e conseguiu ser de genial em sua três atividades. Mas a insistência constante na temática bizarra e esdrúxula, e suas opiniões radicais como por exemplo: suas apologia ao sincretismo religioso e a liberdade politica, a condenação da injustiça social e os abusos institucionais, fizeram-lhe sempre correr à margem.

Existem duas vertentes que abordam de forma distinta sua obra: uma lhe conferindo o título de místico e voltada para os aspectos metafisico e gnósticos religiosos de sua obra.
A outra vertente, defende o aspecto metafórico de sua mitologia. Defendem um leitura alegórica de sua obra em que o significado real corre abaixo e um nível interpretativo.
Diferenças a parte, o resultado estético que Blake alcança, seja ele pictórico ou escrito, enche de beleza os olhos e a alma(ou cérebro, como queiram) de todos.
O Poeta criou uma mitologia própria, um mundo povoado por Gigantes, anjos e demonios simbolos dos conflitos da alma humana.

Blake ilustrou genialmente 20 livros, entre eles a Bíblia e a Divina Comédia, que infelizmente, morreu antes de finalizar. Dono de uma imaginação febril e astronômica, criou imagens perturbadoras e inentativas.

No Campo das letras, Blake foi arrebatador. Influenciou fortemente a trindade responsável pela renovação poética em língua inglesa: Ponds, Yeats e Elliot. Blake abriu caminho para a geração ultra-romantica, que viria balançar o mundo dos versos e lançaria poetas como: Byron, Wordsworth, Shelley, Keats e Coleridgie. Seus principais livros são: Cancões de Inocência, Canções de Experência, Matrimônio do Céu e do Inferno, entre outros.
Blake foi um amante da liberdade, e louvou as revoluções francesa e americana (The French Revolution - A prophecy - America - A Prophecy). Via nelas as promessas de rendenção que a Bíblia prometia.

O TYGRE
Tradução: José Paulo Paes

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?

Em que abismo ou céu longe ardeu
O fogo dos olhos teus?
Com que asas atreveu ao vôo?
Que mão ousou pegar o fogo?

Que arte & braço pôde então
Torcer-te as fibras do coração?
Quando ele já estava batendo,
Que mão & que pés horrendos?

Que cadeia? que martelo,
Que fornalha teve o teu cérebro?
Que bigorna? que tenaz
Pegou-te os horrores mortais?

Quando os astros alancearam
O céu e em pranto o banharam,
Sorriu ele ao ver seu feito?
Fez-te quem fez o Cordeiro?

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou mão imortal ousaria
Traçar-te a horrível simetria?

UMA IMAGEM DIVINA
Tradução: Mário Alves Coutinho e Leandro Gonçalves

Crueladade tem Coração Humano
Ciúme uma Humana Aparência
Terror, Divina Forma Humana
Vestes Humanas, a Decência

Vestes Humanas, é Ferro forjado
Humana Forma, Forja ardente.
Rosto Humano, forno vedado
Coração Humano, Goela apetente.

A MOSCA
Tradução: José Paulo Paes

Pequena Mosca,
Teus jogos de estio
Minha irrefletida
Mão os destruiu.

Pois como tu,
Mosca não sou eu?
E não és tu
Homem como eu?

Eu canto e danço e
Bebo, até que vem
Mão cega arrancar-me
As asas também.

Se é o pensamento
Vida, sopro forte,
E a ausência do
Pensamento morte,

Então eu sou
Uma mosca travessa,
Mesmo que viva
Ou que pereça.


Algumas Pinturas de Blake




Ancient of Days



The Red Dragon and the Woman Clothed


Elohim Creating Adam


House of Death

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