quarta-feira, 27 de maio de 2009

Orfeu (1950) - Jean Cocteau


— Aproxime-se. Você, você.
— Eu?
— Sim.
— O seu nome?
— Orfeu.
— A sua profissão?
— Poeta.
— Aqui diz escritor.
— É quase a mesma coisa.
— Aqui não existe "quase". O que quer dizer com poeta?
— Escrever sem ser escritor
(Diálogo do filme entre Orfeu e os Juízes da morte)


Todo mundo tem um filme preferido certo? Eu, exagerado que sou, tenho alguns. Um dos "mais, mais", sem dúvidas, é Orfeu - Orphée (1950) de Jean Cocteau, um dos maiores artistas do século 20, além de cineasta foi dramaturgo, pintor e poeta de igual talento.

O filme é a visão pessoal e atualizada do trágico mito do Orfeu, é um dos clássicos do cinema tanto por seu apelo universal e imortal que desafiam os limites do espaço e do tempo quanto pela inventativdade e originalidade e seu tratamento plástico e poético que Cocteau consegue.

A narração se passa na França, nos anos 40: Orfeu, (Jean Marais, ator-fetiche do realizador) é um poeta famoso e aclamado, mas entediado com essa condição como também com seu casamento com Eurydice (Marie Dèa). Orfeu fica intrigado e obcecado com umas transições enigmáticas que Capta no carro, local que prefere ficar anotando as mensagens ao invés da companhia da esposa.

Um dia ao caminhar pelas ruas da cidade, conhece a estonteante e elegante Morte (Maria Cassares) e se apaixonam. Ciumenta a morte trama contra vida de Eridyce, quebrando o código de ética das agentes da morte e seus superiores a chamam de volta para o mundo inferior.

A Morte(Casares) e Orfeu(Marais) - Amor Impossível

Se na lenda Orfeu vai ao mundo inferior buscar Eurídice, no filme de Cocteau, vai atrás da morte. Com o auxilio de Heuterbise (Francois Périer) Auxiliar dela, o poeta entra no mundo dos mortos cujas portas são os espelhos. O caminhar de Orfeu para o além é excelente! Uma das melhores sequências da história do cinema! O reino dos mortos é representado por prédios ainda destruídos pelos bombardeiros da segunda guerra mundial, onde o poeta se move em uma velocidade descompassada por entre operários e outros transeuntes ocasionais em situações surreais.

Cocteau e Marais, parceiros na vida e na arte

No reino dos mortos, Orfeu é inquirido por três juízes sobre o acontecimento. Expõe seu desejo de ficar com a Morte, mas é informado que isso é impossível e ele nunca mais a verá, mas poderá voltar para a terra dos vivos em companhia de Euridyce desde que nunca mais olhar para sua esposa.

Orfeu em cena do filme


De volta ao mundo dos vivos, Orfeu faz de tudo para evitar o olhar para a sua esposa, mas acidentalmente, por um espelho, a vê e ela volta para o mundo dos mortos.

Um filme fabuloso, tanto em sua temática quanta em sua categoria. Cheio de imagem lindas, poéticas e desconcertantes. Cinema com "C" maiúsculo.

4 comentários:

  1. Olá,Eraser!
    Só pra constar...leio sim.
    rsrs...

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  2. Olá,bom dia!
    Hummm....fiquei confusa agora...Vc tem tantas postagens,que estou com dificuldades para localizar meus próprios comentários...rsrs.
    Vc usa seu msn?Tentei adicioná-lo,mas não tive resposta.Uso o Hotmail apenas para o Msn mesmo...nunca leio os e-mails.
    A comunicação pelo blog é algo complicado.Caso queira,podemos nos falar por e-mail.

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  3. Um grande filme que revejo sempre. Tenho fascinação pela personagem Morte criada por Maria Casares: a quintessência de mulher, senhora absoluta de si, mas também fragilizada pelo amor. Atente para o diálogo entre a Morte e Orfeu, já no mundo dos mortos, quando pergunta pelos "superiores" que fazem as regras. Evasivamente, mas demonstrando a mesma perplexidade que Orfeu, ela se põe na mesma condição de ignorância do humano Orfeu: "dizem que somos seus sonhos. Um mau sonho". É isso.

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