sexta-feira, 1 de maio de 2009

João Cabral de Melo Neto - Parte I


A poesia da terceira geração modernista brasileira, que veio a ser conhecida como a Geração de 45, esteticamente, procurou estabelecer uma aproximação com os versos parnasianos As preocupações voltaram-se para o rigor formal, para o objetivismo e para o intelectualismo, chegando a "ressuscitar algumas formas fixas poemáticas como: o Soneto e a Ode. Péricles Eugênio da Silva Ramos, Domingos Carvalho da Silva e Lêdo Ivo, foram os principais poetas desse movimento.

João Cabral de Melo Neto( 09/01/1920 Recife - 09/10/1999 Rio de Janeiro), apesar de fazer parte da dita geração e utilizar alguns de seus preceitos, criou uma obra original e não catalogável que rompeu com qualquer rótulo e definição.

O poeta pernambucano lançou seu primeiro livro em 1942 " A Pedra do Sono", no qual nota-se forte influência De Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes. Em 1945 lança "O Engenheiro" que apresenta caminho definitivo de sua obra. Uma poesia pensada e estudada, onde cada palavra é construída em cima de outra palavra de maneira concisa e plástica.

Abaixo o poema que da nome ao livro:

A Educação pela Pedra
Uma educação pela pedra: por lições;
Para aprender da pedra, freqüentá-la;
Captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
Ao que flui e a fluir, a ser maleada;
A de poética, sua carnadura concreta;
A de economia, seu adensar-se compacta:
Lições da pedra (de fora para dentro,
Cartilha muda), para quem soletrá-la.

Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
E se lecionasse, não ensinaria nada;
Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
Uma pedra de nascença, entranha a alma.

Observa-se em sua obra, a predileção temática por três preocupações recorrentes: O nordeste, a Espanha e a Arte. No nordeste vemos a paisagem, a seca o, folclore e o povo. Na Espanha a paisagem, principalmente da cidade que Cabral Adotou, Sevilha. Na Arte o poeta considerava as mais variadas manifestações, principalmente a pintura e poesia, come veremos no poema abaixo sobre o fazer poético.

Antiode

Poesia, te escrevia:
flor! conhecendo
que és fezes. (Fezes
como qualquer,
gerando cogumelos
raros, frágeis, cogumelos)
no úmido
calor de nossa boca
Delicado, escrevia:
flor! (Cogumelos
serão flor? Espécie
estranha, espécie
extinta de flor,
flor não de todo flor,
mas flor, bolha
aberta no maduro).

Um comentário:

  1. ola, estou pesquisando sobre uma aimalidade presente no modernismo brasileiro e vim a encontrar as imagens, um monte delas de marc chagal que vou pensar junto com meyer filho, artista do contigente modernista em santa catarina e acabei por conhecer o blog, muito bom, ainda estou por vir a ler mais...

    por fernando weber (colecionadordelevezas@hotmail.com)

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