sexta-feira, 15 de maio de 2009

Barry Lyndon(1975) - Stanley Kubrick

Apontar um único filme como o mais ambicioso da carreira do diretor norte-americano Stanley Kubrick não é uma tarefa fácil. Mesmo em seu filmes menos excepcionais, exemplo: Fear and Desire(1953) e Killer´s Kiss(1955), há respiros de ousadia, genialidade e ambição. Kubrick primava pela excelência e foi um dos cineastas que alcançou esse nível em quase todos seus filmes.
Pelo resultado técinico alcançado e pela beleza plástica das cenas, Barry Lyndon(1975) merece esse título.

O filme é baseado na obra homônima de William Makepeace Thackeray, e retrata a vida de um certo Redmond Barry, um irlandês de origem humilde e romântico, da sua ascenção social até a nobreza que lhe valerá o título de Sir Barry Lyndon, e da sua decadência tanto moral quanto social.


No elenco, Ryan O´Neil interpreta Barry, e apesar de todas suas limitações técnicas, surpreende adequando-se ao pedantismo e brutalidade necessárias para viver o anti-herói Lyndon. O resto do elenco gira perfeitamente. Destaques para a a interpretações Languida e frágil de Maria Bereson como Lady Lyndon. Reza a lenda que Kubrick repetiu diversos takes em até mais de 100 vezes, procurando captar o momento perfeito, uma variação cinematográfica do instante-mágico do Cartier-Bresson .




O filme ainda conta um figurino estonteante, todo confeccionado originalmente no século XVIII, e com uma caprichadíssima trilha sonora(Marca registra de Kubrick). Misturando marcha militares, músicas folclóricas e peças de autoria de: Haendel, Mozart, Bach entre outros. Um mergulho no Europa dos séculos XVII e XVIII.

E finalmente chegamos no momento mágico do filme, o casamento da edição das imagens, da montagem com a direção fotográfica, o casamento entre a forma e o conteúdo.

Diante da impossibilidade tecnológica para satisfazer suas exigências fotográficas, Kubrick solicitou umas câmeras antigas à Warner que possuíam uma maior abertura na frente, e em parceria com a empresa Cinema Products, acoplou lentes desenvolvidas pela NASA nessas câmeras e as usou para fins específicos, como as situações de luz fraca por exemplo: as cenas internas com iluminação por velas.


No filme a edição funciona para dar suporte e valorizar a cuidadosa fotografia, a montagem é apresenta um ritmo lento, longo e contemplativo, transformando cada cena em quase um pintura, é o filme mais bonito plasticamente que já vi.

o filme ganhou 4 Oscars: Melhor Fotografia(John Alcott), Melhor Direção de Arte(Roy Walker), Melhor Figurino(Milena Canonero e Ulla-Britt Söderlund) e Melhor Trilha Sonora(Leonardo Rosenman e The Chieftains) Recebeu ainda outras 3 indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.

Cinema com "C" maiúsculo!





Sarabande - Haendel

3 comentários:

  1. Nossa!Fiquei curiosíssima para ver essa obra...
    Gosto de acompanhar seus posts,pois são muito ricos e passa tanta riqueza nos detalhes,que seduzem o leitor!
    Boa dica para final de semana com tempo instável...vou à busca!
    Abs

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  2. Amor...que lindooooooooooooo!!!
    Demorou um monte,muita coisa coisa aconteceu nesse meio tempo,mas conseguimos começar a assistí-lo juntos!srsrsrs
    Valeu a pena toda essa espera!Que fotografia belíssima!Genial!!!

    Você tem muito bom gosto!Como sempre...

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