terça-feira, 5 de maio de 2009

Alan Lightman - Sonhos de Einsten



"Quem será mais bem sucedido neste mundo de tempo espasmódico? Os que viram o futuro e só vivem uma vida? Os que não viram o futuro e ficam à espera de viver a vida? Ou os que renegam o futuro e vivem duas vidas?"

Sabe aquele tipo de livro escrito de maneira simples e clara, cuja leitura não trava, pelo contrário, flui de maneira tão agradável que quando chega ao fim você fica triste por estar acabando?
Pois bem, o livro "Sonho de Einsten" do físico americano Alan Lightman, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), pulblicado em 1993 se encaixa nessa categoria.

O livro trata de um assunto que intimida. Um dos cânones da ciência moderna, as teorias das relatividades restrita e geral de Albert Einstein, porém, arranjado de maneira sublime, chocando lógica e lirismo, percorrendo indagações existenciais de maneira bem-humorada e cheio de irônica, o que transforma a leitura em uma atividade agradável mesmo para que pouco conhece os preceitos científicos, aliás, é bem provável que a leitura desses "sonhos" estimulem alguns leitores a pesquisar e conhecer mais sobre essas teorias.

A ação se concentra em Berna, cidade próxima aos Alpes Suíços, no início do verão de 1905, onde um jovem Albert Einstein, um escriturário do Escritório Suíço de patentes observa a cidade que de tão organizada parece um relógio por seu movimento ritimado e rotineiro.
Dono de uma imaginação prodigiosa, o jovem é dado a experimentos mentais e ultimamente vem tendo sonhos misteriosos sobre o espaço-tempo, e cada um deles(as 30 breves narrativas) o escritor convida o leitor a refletir sobre os aspectos mais excêntricos da teoria da realtividade. Em um deles, por exemplo, o tempo transcorre todo num único dia - nascimento, vida e morte. Em outro, não existe futuro. E outro, viajantes do tempo se escondem para não serem vistos e assim mudar o futuro. E há também um em que o tempo cíclico, começa, termina e começa outra vez. Outro o tempo passa ao contrário, e as pessoas nascem velhas e vão rejuvenecendo.

O resultado que Alan Lightman consegue nesse livro e admirável! Fez muito mais que uma obra de ficção científica, ou apenas se concentrou e teorias científicas. Tratou de assuntos caros a mais alta literatura, a própria condição humana.

“Há um lugar em que o tempo fica parado. Pingos de chuva permanecem inertes no ar. Pêndulos de relógio estacionam no meio do seu ciclo. Cães empinam seus focinhos em uivos silenciosos. Pedestres estão congelados em ruas poeirentas, suas pernas erguidas como se amarradas por cordas. Os aromas de tâmaras, mangas, coentro, cominho estão suspensos no ar.”

2 comentários:

  1. Ha! Pela seu post, o livro de Lightman lembrou muito o livro descrito por Borges em "O Jardim das Veredas que se Bifurcam", onde um velho chinês escreve um romance no qual o tempo tem várias probabilidades: num, o exército passa fome, enfrenta uma batalha e vence; noutro trecho do livro, o mesmo exército se regala num banquete a caminho da batalgha e vence; em um outro trecho, o exército apenas marcha, sem enfrentar batalha alguma. Borges era um aficcionado por Física Quântica, e pode ter se inspirado em Einstein para escrever este conto.

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  2. Fala Edu,

    Muito bem lembrado.
    Confesso que não tinha pensado nessa aproximação, mas ela é procedente.

    Realmente Borges era um entusiasta das teorias quânticas e da relatividade e vemos resquícios disso em diversas passagens de sua obra.

    Nesse monumental conto, em especial, eu vejo muito da teoria do caos também.

    Abraço,

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