quinta-feira, 23 de abril de 2009

W.B.Yeats


William Butler Yeats (13 de junho de 1865, Dublin, Irlanda / 28 de janeiro de 1939, Menton /França), poeta e autor teatral, Prêmio Nobel de Literatura em 1923. Foi figura central do Renascimento irlandês( Celtic Revival), um dos inovadores da linguagem poética inglesa e um dos escritores mais destacados do século XX.

Nos quase 70 anos da Era Vitoriana, a literatura de língua Inglesa não produziu nada relevante em verso e nem revelou nenhum poeta de destaque. Nesse hiato, Yeats apareceu e iniciou a reforma a poética inglesa.

O poeta, a princípio, dedicou-se a temas irlandeses e nacionalistas e apresentava uma forte tendência Simbolista e decorativa, na sua evolução, alia suas visões pessoais às várias vertentes poéticas modernas e mergulha nos mistérios da imaginação explorando temas como a mitologia e o esoterismo.

Para Yeats, o homem modernos perdera a visão partilhada do mundo, afastando-se da mitologia e do imaginário, e o seu papel como poeta, era devolver essa unidade. Seus versos eram simples e despojados, mas bem arranjados e remetiam belas imagens.

Yeats fora atuante politicamente, tendo sido Senador da Irlanda de 1922 até 1928. Apresentava opiniões políticas polêmicas e discutíveis, admirava Mussolini e era favorável a eugenia. O poeta também tinha grande interesse em religião. Foi membro da Sociedade Teosófica e estudou ciências ocultas que lhe serviram de base para compor alguns livros, principalmente em "A Vision" livro que escreveu parte em uma espécie de transe, um tipo de psicografia. o que Yeats chamava de escrita automática.

Politico, reacionário, fascista e místico W.B.Yeats foi sobretudo poeta. E todas as opiniões políticas decepcionantes reduzem sua obra, que é uma das mais estudadas da literatura ocidental.


CANÇÃO DO DELIRANTE AENGUS
Tradução: José Agostinho Bapitista


Eu fui para uma floresta de nogueiras,
Porque minha mente estava inquieta,
Eu colhi e limpei algumas nozes,
E apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo;
E, quando as claras mariposas estavam voando,
Parecendo pequenas estrelas, flutuando erráticas,
Eu lancei framboesas, como gotas, em um riacho
E capturei uma pequena truta prateada.
Quando eu a coloquei no chão
E fui soprar para reativar as chamas,
Alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir,
E, alguém me chamou pelo meu nome:
Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente
Com flores de maçãs nos cabelos
Ela me chamou pelo meu nome e correu
E desapareceu no ar, como um brilho mais forte.
Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
E beijar seus lábios e segurar suas mãos;
Caminharemos entre coloridas folhagens,
E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo
As prateadas maçãs da lua,
As douradas maçãs do sol.

A ROSA DO MUNDO
Tradução: José Agostinho Bapitista

Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,
Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,
Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,
E morreram os filhos de Usna.
Nós passamos e passa o trabalho do mundo:
Entre humanas almas que se agitam e quebram
Como as pálidas águas e seu fluxo invernal,
Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,
Vive este solitário rosto.
Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:
Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,
Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;
Ele fez do mundo um caminho de erva
Para os seus errantes pés.


A UMA CRIANÇA QUE DANÇA NO VENTO
Tradução: José Agostinho Bapitista

Dança aí junto ao mar;
Que te importa
O rugido da água, o rugido do vento?
Sacode tua cabeleira
Molhada de gotas de sal;
Tu que és tão jovem ignoras
O Triunfo do néscio, não sabes
Que o amor mal se ganha e logo se perde
Nem viste morrer o melhor operário
E todos os feixe por atar.
Por que hás-de temer
O Terrível clamor dos ventos.

A MÁSCARA
Tradução: José Agostinho Bapitista

Tira essa máscara de ouro ardente
E olhos de esmeralda.
Oh não, meu amor, atreves-te demasiado
A ver se um coração é selvagem e sábio,
sem ser frio.

Só quero ver o que houver pra ver,
O amor ou engano.
Foi a máscara o que ocupou a tua mente,
E fez bater o teu coração,
Não o que está por detrás.

Mas a não ser que sejas minha inimiga
Devo inquirir.
Oh não, meu amor deixa tudo como é;
Que importa,se entretanto houver fogo
Em ti e em mim?

UMA CAPA
Tradução: José Agostinho Bapitista


Uma capa fiz do meu canto
Debaixo a cima
Bordada
De antigas mitologias;
Mas tomaram-na os tolos
Para exibi-la ao mundo
Como se por eles fora lavrada.
Deixa, canto, que a tomem
Pois maior feito existe
Em andar nú

O PRAZER DO DIFÍCIL
Tradução: Augusto de Campos

O prazer do difícil tem secado
A seiva em minhas veias. A alegria
Espontânea se foi. O fogo esfria
No coração. Algo mantém cerceado
Meu potro, como se o divino passo
Já não lembrasse o Olimpo, a asa, o espaço,
Sob o chicote, trêmulo, prostrado,
E carregasse pedras. Diabos levem
As peças de teatro que se escrevem
Com cinqüenta montagens e cenários,
O mundo de patifes e de otários,
E a guerra cotidiana com seu gado,
Afazer de teatro, afã de gente,
Juro que antes que a aurora se apresente
Eu descubro a cancela e abro o cadeado.

AS VOZES ETERNAS
Tradução: Izabella Drumond

Oh, doces e perenes Vozes, permaneçam;
Vão até aos guardiões das hostes celestiais
E os ordene que vagueem obedecendo à Tua vontade,
Chamas sob chamas, até o Tempo deixar de existir;
Não tem você ouvido que nossos corações estão cansados,
Que você tem chamado por eles nos pássaros,
nas marés pela beira-mar?
Oh, doces e perenes Vozes, permaneçam

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