quinta-feira, 2 de abril de 2009

Gran Toriono - 2008



Ao Ler a sinopse de Gran Torino, confesso que fiquei com o pé bem atrás. Veterano de guerra rancoroso que não se dá bem com o família e nem com os vizinhos, uma comunidade oriental, frustra uma tentativa de roubo de seu carro, um Ford 1972 modelo Gran Torino, por uma gangue e vai atrás desses, e essas situações vão transformando à personagem a fazendo melhor.

Juntando minha desconfiança ao filme e o fato de não ter gostado do outro que Clint Eastwood lançou esse mesmo ano- A Troca- minhas expectativas eram bem baixas. Fui assistir meio a contra-gosto o filme e cai do cavalo. O filme é muito bom!

Esqueça as comparações que a crítica fez da personagem Walt Kowalski do filme com a mitológica Harry Callahan, o sujo, da série de filmes dos anos 70, O diretor simplesmente desconstrói seu passado. A única característica que possuem em comum é o mal-humor. Clint faz um Kowalski desprovido de romantismo, xenófobo, incapaz de se relacionar com a família, mas que em certo momento, apesar da idade avançada, começa a aprender com os fatos e com seus erros e passa a ser tolerante e uma pessoa melhor. Sei que isso soa contraditório, mas o que é a vida senão contradições que se sintetizam?

Clint se da bem no filme como realizador. Passa com maestria, sensibilidade, ironia e por situações clichês como o relacionamento com os vizinhos, em especial o jovem Thao(Bee Vang, fraquinho) e a redenção da personagem; e por situações polêmicas, como xenofobia, crise financeira( O filme se passa em Detroit, cidade que abriga a industria automotiva e agora reflete a decadência que este segmento se encontra) e critica ao como a nação americana se comporta com suas guerra e suas consequências.

O filme conta com uma estrutura próxima a um Western, dialoga inclusive com "O Estranho Sem Nome" o qual Clint dirigiu em 1973 . Naquele filme Eastwood interpretava um bandoleiro que chega em uma cidade dominada por um grupo violento e passa a defender os moradores. No filme novo eles passa defender seus vizinhos, uma comunidade Hmong de uma gangue com uma diferença: se no passado Clint resolvia na bala as pelejas, agora dá um único tiro no filme, e acidentalmente.

Gran Torino é um filme maduro, sutil e necessário, tem uma mensagem pacifista sem ser panfletário e é sensível sem ser melodramático. Possui um final anticonvencional, inteligente e emocionante. Uma bela despedida de Eastwood como ator, segundo suas palavras, só atuará atrás das câmeras agora seja produzindo, dirigindo e musicando. Um belo filme!

Um comentário:

  1. Fala Eraserhead...
    Cara, bacana seu blog. Talvez não se lembre de mim, sou amigo do Edu...
    Coloquei um link pro seu blog no meu.

    Abraços

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