sexta-feira, 13 de março de 2009

Watchmen



Cinema e quadrinhos são formas de expressão distintas, logo dependem de elementos diferentes para sua composição, por exemplo: no cinema você conta com inúmeros recursos estéticos e técnicos, como a trilha sonora, os efeitos especiais, o trabalho de atores entre outras coisas. Tudo para auxiliar o realizador a contar uma história, que é o seu objetivo final.

Nos quadrinhos apesar de contar com um número menor de recursos - só se conta com a habilidade do autor ou dos autores no texto, no desenho e nas cores - há uma liberdade temporal maior. O artista não fica preso no limite do tempo, (como ficaria um cineasta, por exemplo) e tem mais tempo para desenvolver e contar sua história, que também é seu objetivo final.

Em suma, um filme baseado em um quadrinho só compartilham a história, e como são veículos diferentes, dispensam comparação ou similaridade.

As afirmações acima podem parecer óbvias para quem não é leitor de quadrinhos, porém para nós aficionados, que muitas vezes nos sentimos traídos pelos roteiristas, produtores e diretores, o que às vezes, não é bem assim.

Ontem fui assistir Watchmen, e quem acompanha o blog sabe o quanto estava esperando por esse filme. Fui cheio de esperanças e, na medida das limitações e das diferenças entre as duas formas de expressão que citei acima, sai satisfeito.

O filme cumpre bem seu papel, te leva para o mundo alternativo dos quadrinhos de Alan Morre e David Gibons, onde em meio a iminência de uma guerra nuclear, heróis lutam para salvar o mundo. As quase três horas de durações passam rapidamente e prazerosamente.

É louvável a tentativa de Zack Snyder de soar fiel ao original, algumas cenas são uma símile perfeita da Graphic Novel, e narrativa toda picotada cheia de flash backs também estão presentes. Nem a ausência da história em quadrinhos do pirata chamada "Contos do Cargueiro Negro", que no original era uma grande sacada, pois, era um recurso metaliguistico(um história em quadrinhos dentro de uma história em quadrinhos) e mudança na trama final comprometem o trabalho.


O diretor também acerta na escolha de Jackie Earle Haley para fazer o atormentado Rorschach, o ator consegue transmitir muito bem a debilidade física e mental da personagem, quanto na escolha de Jeffrey Dean Morgan como o amoral Comediante. O resto do elenco não empolga muito, mas não decepciona.

O filme conta com uma produção caprichada e com efeitos especiais muito bons que contribuem para dar o choque entre o realismo e a fantasia que obra necessita, principalmente nas cenas que envolvem o Dr. Manhattan.

O roteiro escrito por David Hayter e Alex Tse manteve o auto nível dos diálogos origina, as divagações sobre ciência e fé, e sobre a desilusão na natureza humana, travadas principalmente pelos heróis Dr. Manhattan e Roscharch que ainda hoje continuam atuais e verdadeiras.

Muito foi discutido nesses mais de vinte anos que separam o quadrinho do filme. Muitos achavam que seria impossível o transpor a ação da revista para película, e quando anunciaram que o filme sairia, as discussões passaram para que fosse a pessoa certa para esse projeto. Pelas mãos de tantos diretores passaram esse filme, mas, pelo menos para mim, caíram nas mãos certas. Nota 7,5.


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