quinta-feira, 19 de março de 2009

Quatro Posts Ligados Parte III- Wim Wenders - Asas do Desejo




"Quem se eu gritasse, me ouviria pois entre as ordens
Dos anjos? E dado mesmo que me tomasse
Um deles de repente em seu coração, eu sucumbiria
Ante sua existência mais forte..."
Rainer Maria Rilke, As Elegias de Duíno - Primeira Elegia

Em 1987 quando Wim Wenders fez seu "As Asas do Desejo" (Der Himmel über Berlin), já era um diretor de cinema consagrado e possuidor de uma filmografia respeitável, na qual destacam-se os filmes: O Medo do Goleiro diante do Penalti(Die angst des Tormmans beim Elfmeter)1972; Alice nas cidades(Alice in den Städten)1974 ; o Amigo Americano(Der Amerikanisch Freund) 1977; e talvés seu melhor filme, o road-movie existencial Paris,Texas(1984). Porém, nenhum deles conseguiu se tornar objeto de culto e veneração com foi o primeiro citado .

Wenders escreveu o argumento do filme com o seu antigo colaborador, o escritor Peter Handke, e foram influenciados pelos temas explorados por Rainer-Maria Rilke em suas "Elegias de Duíno", o divino em contato com o humano e a solidão da existência. O filme não contou com um roteiro definitivo, a dupla abriu aos atores espaço para improvisações inspiradas no local e na história. "O que acontece sem planejamento, ao acaso é precioso, que não controlar o processo criativo, funciona como uma cura para a alma e para a mente", disse o cineasta a respeito da experiência.

O filme se passa em meados da década de oitenta, sobre uma Berlim despedaçada intimamente pela guerra e ainda separada pelo famoso muro, onde anjos passeiam por seus céus ouvindo o suplício dos humanos e vivendo em um mundo sem cores e sem gostos. Os anjos não podem ser vistos ou ouvidos pelas pessoas, apenas escutá-las e confortá-las passando esperança através de um toque de mão.

O anjo Damiel(Bruno Ganz) rompe esse distanciamento quando se apaixona pela trapezista Marion (Solveig Dommartin), quebra o muro que separa o divino do humano caindo como anjo, passado a humano. Esta mudança para a vida terrena nos é mostrada pela introdução do mundo de cores, o mundo que na perspectiva angelical era sépia, aos olhos humanos é invadido pela vida colorida dos tantos possíveis sentimentos dos homens.

Já Homem, o ex anjo, toma contato com a condição humana. Vende sua armadura celestial, pois tem fome, experimenta maravilhado a atos prosaicos aos humanos, como por exemplo: caminhar, tomar um café e fumar um cigarro. Damiel se porta como uma criança que anda pela primeira vez e encontra seu amor, Marion.

Destaque para a soberba interpretação de Bruno Gans, enquanto anjo passa uma melancolia distante, quando humano uma naturalidade infantil e para a de Peter Falk que faz um anjo caído que ajuda Damiel a se adaptar na terra.

O filme apresenta um resultado poético inigualável, e apesar do evidente aspecto espiritual não discute ideias teológicas, os anjos são metáforas da incompletude inerente a existência, a incapacidade de comunicação entre pessoas, a busca a algo que de um sentido para a vida e as transformações que nos dispomos ao encontrar o amor. Cinema com "C" maiúsculo!

Um comentário:

  1. Cara eu nunca tinha ouvido falar nesse filme, me parece ótimo vou procurar ve-lo. Mas o que me chamo a atenção é a semelhança com um outro filme "Cidade dos anjos", que tambem é um exelente filme, você poderia me confirmar essa semelhança, tipo verificando se são a mesma história ou se seria apenas uma coicidencia, espero por sua resposta no meu e-mail: jonatasramons@bol.com.br, mas é claro se isso se não for um encomodo. Desde já agradeço. Um abraço.

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