terça-feira, 17 de março de 2009

Quatro Posts Ligados Parte I - Kierkegaard


Soren Aabye Kierkegaard nasceu em 1813 Copenhague e morreu na mesma cidade 1855, foi um filósofo e teólogo dedicado ao pensamento e a reflexão dos temas ligados ao sentido e a angústia da existência e da fé, foi o percussor do existencialismo e influenciou Sartre e Heidegger.

Kierkegaard desenvolveu seu sistema filosófico em seu íntimo e foi influenciado por fatos de sua vida. Dois desses eventos mais marcantes foram: seu relacionamento conturbado e difícil com o pai, que era um viúvo e depois da morte da esposa, casou-se rapidamente com a governanta, mãe do filósofo.
Pela rigidez religiosa do pai, considerava-se um pecador e Kierkegaard quando tomou conhecimento deste fato, passou a ter um sentimento doloroso de pecado e culpa para com o pai.
O segundo evento foi o término do noivado com Regina Olsen, pois se considerava incapaz de dar o afeto que a noiva merecia.

Em oposição às ideias da objetividade de Hegel, que afirmava " que a parte não tem qualquer relevância com respeito ao todo a que pertence, o indivíduo só tem valor como componente da espécie", Para Kierkegaard,"a único jeito de sair deste sistema sufocante era reivindicar a subjetividade do indivíduo".[1]

O filósofo enxergava três formas caminhar para o transcender, cada uma delas chamadas de Estágios da Existência: o estético, o ético ou moral e o religioso.
O Estético que é representada pela figura mitológica do Dom Juan, era o hedonismo e o prazer superficial. O tipo de vida estético não proporciona realização àquele que lhe dedica a vida, e apesar de abominar a monotonia em um determinado momento é o seu inevitável destino que resultará no desespero.
O Ética ou Moral é representado pelo herói da vida conjugal, o bom marido, e é quem decide quem deseja ser e se impões a disciplina necessária para conseguir. É fiel e observa as leis e respeita os compromissos assumidos, porem e escravo de conceito já existentes. E é incapaz de se realizar plenamente como indivíduo, pois não consegue eliminar os problemas fundamentais da existência, nascendo assim a angústia.
O Religioso que é o único capaz de responder ao significado da existência, a partir de um contato direto com Deus, o ser humano se coloca acima da ética.

O estágio religioso é um passo consequente, pois é a partir da desordem dos estágios inferiores que se tem a possibilidade de encontrar a realidade superior.
É representado pelo mito de Abraão e o sacrifício de Isaac. Vale ainda citar que apesar de católico, Kierkegaard era mordaz crítico das instituições religiosas e o que elas representavam.

Para Kierkegaard "a existência humana significa liberdade, a possibilidade de realizar-se em um dentre os infinitos modos possíveis. Esta escolha leva a angústia, que só inexiste nos animais e nos anjos. Um dos possíveis efeitos da angústia é o nada, a nulificação paralisante do indivíduo."[2]

Principais Obras: Diário de um Sedutor (1843); Temor e Tremor (1843); as Etapas da Vida (1844); O Conceito da Angústia(1844); As Etapas do Caminho da Vida( 1845); A Doença Mortal(1849).

[1] e [2] -Nicola, Ubaldo - Antologia Ilustrada da Filosofia - Rio de Janeiro/RJ Globo 2005

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