quarta-feira, 4 de março de 2009

A Invenção de Morel - Adolfo Bioy Casares

Adolfo Bioy Casares

Adolfo Bioy Casares (1914 / 1999) foi um dos principais ficcionistas do século XX e em A invenção de Morel, seu romance de estreia originalmente publicado em 1940, o argentino passeia por alguns gêneros narrativos como: o romance policial, a ficção científica e o realismo fantástico, para nos contar uma história de amor, um simulacro de realidade e o preço a ser pago ao se tentar adquirir a imortalidade.

Casares tem frequentemente seu nome associado ao de Jorge Luís Borges, pois além de amigos eram colaboradores (escreveram juntos 6 livros) e compartilhavam a temática fantástica em suas obras, e na elegante edição da Cosac Naify lançada em 2006, Borges faz o prólogo d'A Invenção de Morel" a classificando como perfeita. A edição contém ainda um delicioso posfácio de Otto Maria Crepaux escrito originalmente em 1966.

O enredo do livro é simples: um foragido da justiça venezuelano(não se sabe qual crime ele cometeu, mas a indícios que seja de ordem política) que acredita ser inocente, busca refúgio em uma ilha no pacífico que foi palco de uma epidemia misteriosa e letal anos atrás. Na ilha ele descobre algumas construções abandonadas, alguns equipamentos engenhosos de mecânica incomum e um grupo de pessoas que age de maneira estranha, o ignorando e passando por ele como se não existisse. Dentro desse grupo vemos Faustine mulher por que o fugitivo se apaixona e Morel suposto par romântico da moça.

No livro, que é narrado em primeira pessoa, o fugitivo vai relatando suas dificuldades para se estabelecer na ilha, arrumar alimentos e abrigo, a estranheza do comportamento dos outros visitantes da ilha e a paixão que sente por Faustine(referência a Fausto) que o consome. Em determinado momento não sabemos se a personagem alucina, ou é vitima de uma armação das outras pessoas da ilha ou se está acontecendo algo realmente fantástico com ele.

Depois de alguma investigação o fugitivo descobre o mistério da ilha. Morel (alusão ao Dr.Morreau, personagem criado por H.G.Wellls) foi um cientista que inventou um aparelho que consegue gravar imagens e sons criando uma realidade independente que ficará viva para sempre, uma imagem imortal. Descobre também que as pessoas que estão na ilha não estão mais vivas, e na verdade nem humanas são, e sim imagens geradas pela genial invenção de Morel. Essas pessoas estiveram na ilha a tempos atrás e foram "filmadas" pelo cientista e expostas a uma terrível radiação que a maquina emitiu matando todos.

O final do livro é de um beleza ímpar, o escritor oferece uma conclusão poética e coerente com o universo e as personagens que criou.

O estilo de Casares é enxuto e direto, porém muito elegante. Ele segue um caminho oposto do seguiria Borges, que prezaria algo menos direto e mais labiríntico, mas o resultado é impressionante. Uma sátira à tecnologia, à busca da vida eterna, e à própria condição humana. Um grande livro!

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