quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

The Nines



Eu assisti "O Número nove" (The nines - 2007), filme de estreia de John Augst, roteirista colaborador do Tim Burton nos seus três penúltimos filmes.
O filme não chega a ser Cinema com "C" maiúsculo, mas superou e muito minhas expectativas.

A trama é contada em três pequenas histórias, que se unem de maneira satisfatória no final.
A primeira nos mostra um ator problemático que ao ser confinado em prisão domiciliar, começa a viver situações insólitas e ver constantemente referências ao número nove; na segunda história um roteirista de cinema e televisão, que luta para por o seu programa no ar e vive um dilema ao ter que afastar a atriz principal, uma grande amiga; na terceira e última, na qual tudo será explicado, um criador de jogos de vídeo-game está com a família em uma área afastada, e ao detectar problemas no carro, sai à procura de ajuda e encontra uma misteriosa mulher que vai lhe fazer uma grande revelação.

O elenco é muito competente e é repetido a cada episódio do filme. O Ator Ryan Reynolds tem se mostrado um ator corajoso ao escolher filmes que o afastem do estereótipo de galã, e no filme está muito bem vivendo as três personagens principais. As atrizes Hope Davis e Melissa Mccarthy , que são as duas antagonistas no filme, equilibram muito bem o drama e o humor que seus papéis pedem.

O ponto negativo fica por conta da sua trilha sonora, ou falta dela, pois é quase inexistente. Um auxilio musical seria muito útil nos momentos misteriosos e dramáticos do filme. O filme também deixa a desejar no seu desenvolvimento, August parece estar incomodado na cadeira do diretor e se apressa a desatar os nós parecendo querer se livrar logo do filme. Pode ser talvez inexperiência.

O Filme tem ideias muito boas, fala sobre religiosidade, realidade e universos paralelos. Tem um roteiro fantástico e diálogos inspirados. Contém críticas ao show bussines americano e apresenta algumas personagens bizarras, que o aproximam " de "A Cidade dos Sonhos" do David Lynch, porém, enquanto esse não se preocupa em revelar nada, o outro apresenta suas justificativas e não decepciona.
The Nines está na grade da TV a cabo net esse mês, e para quem não tem, já está disponível em DVD.

Recomendo.

5 comentários:

  1. Acabei de rever o filme e talvez The Nines enfoque teorias de ser multidimensional e realidades simultâneas. A escala numérica de 10 - Deus, 8 - Coalas, 7 - Macacos e 9 - ser multidimensional é uma jogada do diretor. Além disso, mostra que o personagem principal (9), esqueceu de sua condição multidimensional e se apegou extremamente á realidade linear dos seres humanos (7) E me parece que os personagens (Sarah, Susan e Sierra) são (9), pois buscam despertar o personagem principal de sua condição multidimensional. Notem que o personagem principal deixa a matéria corporal, tornando-se um bólido luminoso e arremessado ao espaço sideral ao final do filme. Segue um apanhado teórico, filosófico e científico da teoria quântica multidimensional - "Ser um humano multidimensional é estar conscientemente em vários locais diferentes ao mesmo tempo, pois existimos em diversas realidades. Vocês já devem ter ouvido falar que existem outras porções de vocês mesmos que estão muito mais unidas e que sabem muito mais que vocês, pois é, isso é verdadeiro, então, como vamos poder saber quando esses outros aspectos do nosso ser vão começar a se manifestar? Aí então, começaremos a descobrir aspectos nossos que existem no não físico, ou partes de nós que vivem de outra forma, desenvolvendo outros potenciais e até mesmo, vivendo em outros planetas." danielbrasilsm@hotmail.com

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Bom dia,Daniel!
    Perfeita sua análise! Eu adoro essas teorias científicas que abordam esse tema: "Multi-verso, a interpretação dos muitos mundos do universo e do universo bolha", entre outras. Dá para viajar bastante e se indagar sobre o que achamos o que é a realidade e tudo isso é discutido no filme de maneira bem contundente e divertida.

    Obrigado pela visita!

    Grande abraço,

    Eraserhead

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  4. Pois é, este filme e o Donnie Darko (meu filme número 1) abordam questões da física quântica. O The Nines pode não ser nada disso, porém, o encontro do personagem com ele mesmo quando as ratoeiras estão espalhadas no chão, ele aparecer triplicado em um momento dentro da casa e o fato do personagem mencionar que sua casa está assombrada por ele mesmo são pontos chaves. Teoricamente, o desenvolvimento da visão e da consciência da multidimensionalidade levam o indivíduo a enxergar todas as realidades simultâneas e foi isto que me intrigou. Eu ando numa fase de curtir filmes do gênero mindfuck como este. Segue umas dicas se você curte o gênero: Triangle; Possession(1981); Dark City;
    The Holy Mountain; Bug; Southland Tales; El Topo; Avalon; Tanin No Kao, entre outros. Sobre o David Lynch, andei lendo e juntando peças sobre os filmes mais recentes e sobre o que você adotou com pseudônimo. Pois bem, a proposta de Lynch é filmar as psicoses e obsessões humanas, críticas a hollywood e a sujeição dos atores à indústria cinematográfica (como você bem apontou). Além disso, seus filmes mais "psicótico-surreais" por assim dizer, dialogam com sua condição de artista plástico e o que importa é a composição da imagem e não o roteiro. O impacto e dimensão artística das imagens são o principal, tanto que após mulholland dr. abandonou por completo qualquer linearidade lógica. Também pode não ser nada disso, pois tudo é relativo rsssss. Obrigado e abraço. Daniel

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  5. Esqueci-me de parabenizar o casal idealizador do blog, um espaço preparado com esmero e onde transborda arte sem preconceito de gêneros e estilos. Abraço. danielbrasilsm@hotmail.com

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