terça-feira, 22 de dezembro de 2015

JÚPITER MAÇÃ - RIP


APPLE FIELDS FOREVER



Nada mais apropriado do que usar o velho chavão “ As estrelas mais brilhantes, são as que apagam primeiro” para resumir a trajetória do cantor e compositor Flávio Basso, artista conhecido como Júpiter Maçã, que nos deixou, infelizmente, ontem, dia 21/12/2015 aos 47 anos.
Iconoclasta, rebelde, divertido, sagaz e inteligente; Júpiter foi, o que de melhor apareceu na música brasileira nos últimos 25 anos. Constantemente chamado de gênio por seus pares e especialistas, o artista humildemente dizia ser apenas “ esforçado” e de ter “o dom de capturar algumas tendências do passado e conseguir criar uma interface com a modernidade e contemporaneidade”. Ora, o que isso a não ser genialidade!
Todos os predicados ditos no parágrafo acima ficam evidentes em suas entrevistas. Divertia-me muito com elas. O talk show dirigido por ele na extinta e renascida MTV era um arraso. Pena que uma de suas últimas entrevistas, concedida para o Skyklab no programa “matador de passarinho “ no Canal Brasil, Júpiter não parecia bem. Visivelmente chapado, não conseguia articular ideias e balbuciava algumas coisas e ficava mudo aos olhos de um entrevistador complacente.
Tenho certeza que Júpiter Maçã já está no Céu dos Gênios da música ou em algum lugar do caralho como ele cantou! Sentado ao lado do Syd Barret, esperando o Brian Wilson e o Arnaldo Bapitsta para montar a maior banda e mais psicodélica que já houve no além!

  Apple Fields Forever!!!

sábado, 16 de maio de 2015

Jagadarte - Lewis Carroll


Jaguadarte


Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

"Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!"

Ele arrancou sua espada vorpal
e foi atras do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando atraves da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante!
Cabeca fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

"Pois entao tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!"
Ele se ria jubileu.

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.


Tradução Augusto de Campos

domingo, 6 de abril de 2014

ESBOÇO DE UMA SERPENTE – Paul Valéry


Entre as árvores, a brisa embala
A víbora que me veste...
Um sorriso, que o dente trinca
E o apetite apresta ao teste.
Sobre o Jardim arrisca a cauda
E meu triângulo esmeralda
Mostra a língua de duplo fio...
Cobra serei, mas cobra arguta
Cujo veneno, ainda que vil,
Deixa longe a douta cicuta!

(tradução de Augusto de Campos)


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Paco de Lucia - Entre dos aguas (1976) full video



Como admiradora da dança em todas as suas formas de expressão, acabei conhecendo o trabalho de Paco de Lucía através do flamenco. E sorte minha: tive a oportunidade de vê-lo num show aqui em SP, nos anos 80: a velocidade de seus dedos ao tocar era algo hipnotizante! Músico que se declarava avesso aos exercícios ao violão, era disciplinadíssimo e rigoroso em seus shows! Fazia questão de chegar bem antes aos locais de suas apresentações e aquecia seus dedos no instrumento durante duas horas. O resultado, óbvio, não poderia ser outro senão a perfeição!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Giuseppe Arcimboldo


Muitas pessoas já viram os famosos quadros com retratos de pessoas com suas feições formadas por frutas e flores, certo? O quadro acima chama-se Vertumnus, retrato de Rodolfo II e foi pintado em 1590, há incríveis 424 anos por Giuseppe Arcimboldo (Milão 1527 - 1599).

Para quem conhece um pouco de história da arte sabe que a imagem não se encaixa com a época. Apenas no final do século 19 com as Vanguardas Europeias que as artes foram desconstruídas e recriadas. A pintura deixava de decorar casas, segundo Picasso, e virava uma arma. Uma arma subversiva, de ideias... é claro.

Arcimboldo fez parte do maneirismo, corrente artística que explorava temas espirituais e ligados à religiosidade católica, como vemos em El Grecco e Tintoretto, dois outros expoentes maneiristas. O italiano, no entanto, buscava referencia no ocultismo e as religiões pagãs europeias criando retratos antropomorfos nos quais faces humanas são sugeridas pela representação dos relevos, árvores, pedras, frutas, flores e vegetais, criando uma obra original e bem a frente de seu tempo.